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"iFood universitário": Alagoano cria aplicativo voltado ao empreendedorismo na universidade

Luiz Fernando Tenório teve a ideia em 2025 após perceber a ausência de uma plataforma que se adequasse à realidade universitária

Por Jamerson Soares 12/05/2026 18h06 - Atualizado em 12/05/2026 19h07
'iFood universitário': Alagoano cria aplicativo voltado ao empreendedorismo na universidade
Estudante Luiz Fernando teve a ideia de criar um "iFood universitário" para estimular a economia dentro da universidade - Foto: Cortesia

Um aplicativo do setor de alimentação capaz de gerar renda para manter estudantes na universidade, fortalecer o empreendedorismo local e ajudar a comunidade acadêmica ao conectar vendedores e clientes da região. Esse é o objetivo do aplicativo “LuEats”, tecnologia idealizada e criada pelo estudante alagoano de Engenharia Química da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Luiz Fernando Tenório, de 28 anos.

Formado em Nanotecnologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Luiz Fernando teve a ideia em 2025, após perceber a ausência de uma plataforma que ajudasse os alunos da Ufal a encontrar estabelecimentos comerciais acessíveis próximos aos blocos do campus.

Segundo o estudante, que já trabalhou no ramo de vendas, a principal motivação foi criar uma ferramenta que ajudasse universitários a terem mais visibilidade e oportunidades de renda, sem a necessidade de pagar taxas abusivas.

“A ideia de estudantes venderem para outros estudantes por um preço justo foi muito bem recebida. Vejo um potencial muito grande no projeto”, contou.

De acordo com Tenório, o LuEats já reúne 317 usuários, 18 lojas cadastradas e 96 pedidos realizados dentro do aplicativo. Pequenos empreendedores comercializam diversos produtos e alimentos, como bolos, sanduíches, brigadeiros e brownies. Ainda não há uma média definida de faturamento na plataforma.

“As perspectivas para o LuEats são positivas. O público abraçou a ideia, e os próximos passos incluem concluir a fase de testes da Play Store, oficializar o registro do aplicativo e expandir a plataforma para outras universidades e comunidades acadêmicas”, destacou o estudante.

Processo de criação

Para desenvolver o aplicativo, Fernando precisou de seis meses dedicados à produção, logística, planejamento e divulgação. Ele contou que o processo foi intenso e desafiador, já que, normalmente, projetos desse tipo são desenvolvidos por equipes.

“Eu desenvolvi tudo sozinho”, afirmou.

A plataforma foi criada em duas versões: uma web, acessada por QR Code, e outra disponível na Play Store. O aplicativo está em acesso antecipado, já que a Play Store exige um período de testes de 14 dias antes da liberação definitiva. A previsão é que a versão oficial seja liberada ainda nesta semana.

Fernando também relatou que o desenvolvimento foi feito com React Native, utilizando Expo, principalmente em JavaScript e TypeScript, permitindo criar versões Android e web a partir do mesmo código.

“Usei o VS Code como ambiente de desenvolvimento e o Expo Go para testes no celular em tempo real. Como o projeto foi feito sozinho, um dos desafios foi testar e corrigir tudo por conta própria. Depois do lançamento, ainda surgiram alguns bugs apontados pela comunidade, que fui ajustando e corrigindo aos poucos”, explicou.

Como funciona

O LuEats foi criado para incentivar o empreendedorismo universitário e em comunidades, priorizando facilidade e praticidade no acesso.

Na plataforma, o lojista cria sua própria loja, adiciona os itens e pode oferecer cartão fidelidade, além de contar com controle de estoque.

Após receber um pedido, o pagamento não é realizado diretamente pelo aplicativo. Em vez disso, o cliente é direcionado ao vendedor e efetua o pagamento no momento da entrega.

“Dessa forma, o aplicativo não cobra taxas sobre as vendas, o que ajuda os vendedores a manterem preços mais acessíveis”, pontuou o estudante.

O nome “LuEats” surgiu da junção de “Lu”, de Luiz, com “Eats”, ligado à comida e à experiência de comer bem. Segundo Fernando, a ideia era criar um nome simples, moderno e fácil de lembrar.

O graduando também revelou que a inspiração para o aplicativo veio de plataformas como a iFood, mas com a proposta de algo mais leve, direto e adaptado à realidade universitária.

A tecnologia pode ser acessada por meio da versão web no site LuEats.