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Teoria sobre dinossauros em pintura do século 16 viraliza, mas é desmentida por especialistas

Obra atribuída nas redes a um artista inexistente mostra, na verdade, camelos retratados de forma imprecisa

Por Redação com g1 12/05/2026 11h11
Teoria sobre dinossauros em pintura do século 16 viraliza, mas é desmentida por especialistas
"O Suicídio de Saulo" foi pintado por Pieter Brueghel, um dos grandes nomes do Renascimento - Foto: Domínio público

Uma teoria que voltou a circular nas redes sociais afirma que uma pintura do século 16 provaria que seres humanos conviveram com dinossauros. A imagem viralizou após internautas apontarem criaturas ao fundo da obra que lembrariam saurópodes, dinossauros conhecidos pelo pescoço longo.

As publicações atribuíram a pintura a um suposto artista chamado “Peter Bruce Gale” e afirmavam que a obra teria sido produzida cerca de 300 anos antes de os dinossauros serem identificados pela ciência.

No entanto, especialistas apontam que a teoria não se sustenta. O artista citado sequer existe. A obra compartilhada nas redes é, na verdade, “O suicídio de Saul”, do pintor flamengo Pieter Bruegel the Elder, um dos principais nomes do Renascimento europeu.

Produzida em 1562, a pintura retrata o momento bíblico em que o rei Saul tira a própria vida após ser derrotado pelos filisteus. Atualmente, o quadro faz parte do acervo do Kunsthistorisches Museum, na Áustria.

Segundo análises citadas pelo site IFLScience, os animais vistos ao fundo da composição provavelmente são camelos. A aparência incomum ocorre porque artistas da época frequentemente retratavam animais exóticos sem nunca tê-los visto pessoalmente.

Durante a Idade Média e o Renascimento, era comum que pintores trabalhassem apenas com descrições feitas por terceiros, criando representações distorcidas de espécies desconhecidas na Europa.

Esse tipo de interpretação equivocada já ocorreu outras vezes na internet. Um dos casos mais famosos envolve a obra “Os Esperados”, do pintor austríaco Ferdinand Georg Waldmüller, em que internautas acreditaram ver uma mulher segurando um smartphone. Posteriormente, especialistas esclareceram que o objeto era apenas um livro de orações.