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Pesquisa da Ufal mostra impacto das internações por animais peçonhentos no Brasil

Artigo foi publicado em revista internacional; estudo analisou a carga de internações causadas por animais peçonhentos, revelando um cenário de hospitalizações

Por Ufal 05/05/2026 15h03 - Atualizado em 05/05/2026 15h03
Pesquisa da Ufal mostra impacto das internações por animais peçonhentos no Brasil
Estudo da Ufal sobre animais peçonhentos foi publicado em revista internacional - Foto: Carla Cleto / Ascom Sesau

Um estudo conduzido por professores do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS) e estudantes de Medicina da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), em parceria com pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e da Academia de Ciências Veterinárias da Galícia (ACVG-Espanha), traz um alerta importante sobre o impacto dos acidentes com animais peçonhentos na saúde pública brasileira.

O artigo publicado na revista internacional Discover Public Health, analisou a carga de internações causadas por animais peçonhentos, como serpentes, escorpiões e aranhas, revelando um cenário de mais de 186 mil hospitalizações no país ao longo de dez anos. Ao todo, os acidentes resultaram em um custo acumulado superior a R$53,6 milhões para o Sistema Único de Saúde (SUS), sendo que aproximadamente 18% desse valor está relacionado a internações em unidades de terapia intensiva (UTI), evidenciando o alto custo dos casos mais graves.

Os resultados apontam uma tendência de aumento nas internações e dos custos ao sistema de saúde ao longo do período analisado. Acidentes com serpentes foram responsáveis pelo maior impacto econômico, enquanto escorpiões apresentaram maior número de casos.

De acordo com o professor Flávio Rodrigues, a pesquisa também evidencia importantes desigualdades regionais. Enquanto os estados da região Norte têm maior número de internações, os custos médios por paciente são mais baixos, refletindo limitações no acesso a serviços de maior complexidade. Já os estados da região Sudeste concentram maiores gastos, especialmente relacionados a atendimentos de alta complexidade em unidades de terapia intensiva.

“O estudo evidencia que as desigualdades regionais influenciam diretamente o desfecho desses acidentes, reforçando a necessidade de políticas públicas voltadas para o acesso rápido ao tratamento soroterápico”, destacam os autores.

Cenário em Alagoas

No estado de Alagoas, durante o período analisado, foram registradas 777 internações, totalizando um custo de aproximadamente R$ 207 mil, dos quais mais de R$ 37 mil estiveram associados a atendimentos em UTI (18,1% do custo total de internações por acidentes com animais peçonhentos). As internações somaram 2.888 diárias hospitalares, com uma média de permanência de 3,7 dias. “Embora a maioria dos casos apresente evolução relativamente rápida, há episódios que demandam maior complexidade assistencial”, contextualiza o pesquisador Flávio Silva Jr.

Entre os municípios, Maceió concentrou o maior volume de custos, R$ 167 mil no total, refletindo seu papel como principal centro de referência para atendimento de casos mais graves no Estado. Outros municípios, como Arapiraca e Coruripe, também se destacam, sendo este último com forte contribuição de casos envolvendo acidentes com escorpiões.

“Esse panorama reforça a importância do fortalecimento das ações de vigilância, da descentralização do acesso ao tratamento e da educação em saúde, especialmente em regiões onde o tempo de resposta pode ser determinante para o desfecho clínico”, alerta a professora Lívia Freitas.

O artigo completo pode ser acessado por meio do DOI. Em anexo, é possível analisar as imagens que mostram a distribuição geográfica por estado dos custos totais de hospitalização e dos custos de internação em UTI, por acidentes com animais peçonhentos no Brasil, de 2014 a 2023.