Ciência, tecnologia e inovação

Bem-estar do animal melhora qualidade dos alimentos

Práticas adequadas reduzem estresse, doenças e melhoram desempenho na produção

Por Redação com Metrópoles* 25/04/2026 15h03 - Atualizado em 25/04/2026 15h03
Bem-estar do animal melhora qualidade dos alimentos
Ilustração - Foto: Freepik

Expressões como “ovos de galinhas felizes” e “leite de vacas bem cuidadas” têm se popularizado no mercado brasileiro. Apesar do apelo comercial, o conceito de bem-estar animal possui base técnica e pode impactar diretamente a produtividade quando aplicado de forma correta.

Na prática, o bem-estar envolve oferecer condições adequadas de espaço, alimentação, água, temperatura, higiene e manejo, além da redução de estresse. Especialistas apontam que, quando esses fatores são respeitados, há melhora nos índices produtivos, menor incidência de doenças e maior eficiência nos sistemas de produção.

O zootecnista e extensionista rural Frederico Franco Bourroul, da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-DF), explica que o bem-estar animal está diretamente ligado ao desempenho produtivo.

“Quando o sistema oferece espaço adequado, boa ventilação, acesso correto à água e alimentação e menor exposição a patógenos, os animais tendem a adoecer menos e converter melhor os nutrientes em crescimento, leite, ovos ou carne”, afirma.

Ambientes inadequados, como locais superlotados ou com ventilação insuficiente, podem provocar queda no consumo de ração, aumento da agressividade e maior transmissão de doenças, prejudicando o resultado final.

Outro fator relevante é o conforto térmico. Cada espécie possui uma faixa ideal de temperatura e, fora desse intervalo, o metabolismo dos animais é afetado.

“No calor intenso, muitos animais comem menos. Com menor ingestão de alimento, há perda de peso, redução na produção de leite ou pior desempenho geral”, diz Bourroul.

Para minimizar esses impactos, produtores têm investido em soluções como sombreamento em pastagens, ventilação adequada, nebulização e melhoria na estrutura dos galpões.

A liberdade de movimento também é apontada como essencial. Sistemas muito restritivos tendem a aumentar o estresse e favorecer problemas de saúde. “Movimentação moderada e ambiente enriquecido costumam trazer benefícios. Já a restrição intensa pode aumentar mortalidade e doenças”, afirma o especialista.

No Brasil, iniciativas voltadas ao tema já começam a ganhar reconhecimento. Uma granja de suínos em Patos de Minas (MG) foi a primeira do país a receber certificação de bem-estar animal da Produtor do Bem, selo que avalia critérios como manejo, sanidade e condições ambientais.

“O bem-estar animal é um pilar fundamental dentro da nossa estratégia, pois está diretamente ligado à sustentabilidade, à eficiência produtiva e à qualidade dos alimentos”, afirma a gestora agrícola Lucimar Silva.

Além dos ganhos produtivos, práticas de bem-estar também agregam valor comercial. Entre os principais benefícios estão a redução do estresse, menor risco de doenças, melhora no ganho de peso, aumento na produção de leite e ovos e facilitação do manejo nas propriedades.

Do lado do consumidor, cresce a atenção à origem dos alimentos, com maior interesse por produtos associados à sustentabilidade. Ainda assim, o preço segue como fator determinante para a maioria das famílias.

Segundo especialistas, a tendência é que o futuro da produção animal combine tecnologia, rastreabilidade e melhores práticas de manejo, consolidando o bem-estar como uma ferramenta estratégica para o setor.