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Astrônomos identificam limite do disco estelar da Via Láctea

Estudo revela que formação de estrelas na galáxia ocorre até cerca de 40 mil anos-luz do centro

Por Sputnik Brasil 23/04/2026 12h12
Astrônomos identificam limite do disco estelar da Via Láctea
Cientistas encontram limite do disco estelar da galáxia - Foto: CC BY 2.0 / ESO/P. Horálek / Within Reach

Determinar até onde se estende a Via Láctea sempre foi um desafio para a ciência, já que sua borda não é abrupta, mas se dissipa gradualmente.

Pela primeira vez, uma equipe internacional de astrônomos identificou o limite do disco de formação estelar da Via Láctea ao analisar as idades das estrelas. O estudo, publicado na revista Astronomy & Astrophysics, mostra que a maior parte da formação estelar da nossa galáxia acontece até 40 mil anos-luz do centro galáctico.

Os pesquisadores adotaram uma abordagem inovadora, combinando a análise de idades de estrelas brilhantes e gigantes com simulações computacionais avançadas sobre a evolução das galáxias. Esse método revelou um padrão “em forma de U” na distribuição das idades estelares, indicando a borda das regiões onde novas estrelas se formam.

“A extensão do disco de formação estelar da Via Láctea tem sido há muito uma questão em aberto na arqueologia galáctica; ao mapear como as idades estelares mudam ao longo do disco, agora temos uma resposta clara e quantitativa”, explicou o autor principal do artigo, doutor Karl Fiteni, da Universidade de Insubria, ao portal Phys.org.

Segundo os especialistas, as galáxias não formam estrelas de modo uniforme em seus discos. O crescimento ocorre do centro para fora: a formação estelar inicia nas regiões mais densas do núcleo e avança gradualmente para as áreas externas ao longo de bilhões de anos, fenômeno conhecido como crescimento “de dentro para fora”. Assim, as estrelas tendem a ser mais jovens quanto mais distantes do centro galáctico, já que o disco externo é onde a formação estelar chegou mais recentemente.

A pesquisa confirmou que, na Via Láctea, a idade média das estrelas diminui à medida que se afasta do centro, evidenciando o crescimento de dentro para fora. Contudo, entre 35 mil e 40 mil anos-luz do centro, essa tendência se inverte: as estrelas voltam a ser mais velhas à medida que a distância aumenta.

Essa reversão cria um perfil de idades característico, em “U”. Ao comparar essa assinatura com simulações galácticas de última geração, os cientistas demonstraram que a idade mínima marca uma queda acentuada na eficiência da formação estelar, confirmando esse ponto como o verdadeiro limite do disco de formação estelar da Via Láctea.

Apesar dessa descoberta, permanece a dúvida: por que existem estrelas além desse limite, se a formação estelar cai drasticamente ali? A explicação está no fenômeno chamado “migração radial” — estrelas que, ao longo do tempo, se deslocam para fora de seu local de origem, impulsionadas por ondas espirais que atravessam a galáxia.