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Jatos de buraco negro revelam energia capaz de moldar galáxias

Medições inéditas em Cygnus X-1 mostram emissão equivalente a 10 mil sóis e ajudam a entender a evolução do Universo

Por Sputnik Brasil 22/04/2026 09h09
Jatos de buraco negro revelam energia capaz de moldar galáxias
Observações em Cygnus X-1 ajudam a entender evolução das galáxias - Foto: © Foto / Centro Internacional de Pesquisa em Radioastronomia (ICRAR)

Astrônomos conseguiram medir, pela primeira vez, a energia dos jatos emitidos por um buraco negro no sistema Cygnus X‑1, revelando potência equivalente à de 10 mil sóis. Utilizando o radiotelescópio Observatório Square Kilometre Array (SKA), a equipe observou como o buraco negro desvia matéria de sua estrela companheira supergigante azul e expulsa parte dela a metade da velocidade da luz, fornecendo novos parâmetros para entender o impacto desses jatos na formação de galáxias.

O Cygnus X‑1, localizado a cerca de 7.000 anos-luz da Terra, é uma das fontes de raios X mais brilhantes do céu e abriga um buraco negro com aproximadamente 21 massas solares. Ele orbita a apenas 48 milhões de quilômetros de sua estrela companheira — cerca de 20% da distância entre a Terra e o Sol —, arrancando continuamente matéria da superfície da supergigante azul.

Uma ilustração de um buraco negro supermassivo expelindo jatos poderosos de matéria criada com Canva
Uma ilustração de um buraco negro supermassivo expelindo jatos poderosos de matéria criada com Canva

Essa matéria não cai diretamente no buraco negro: devido ao momento angular, ela forma um disco de acreção, uma estrutura giratória e extremamente quente que emite intensos raios X. A gravidade do buraco negro aquece o disco a níveis extremos, alimentando o processo que gera tanto radiação quanto jatos relativísticos.

Parte da matéria do disco não é engolida, mas sim acelerada e expelida pelos polos do buraco negro em jatos poderosos que viajam a cerca de metade da velocidade da luz. Pela primeira vez, os astrônomos conseguiram medir diretamente não apenas a velocidade, mas também a potência desses jatos.

As imagens captadas pelo SKA revelaram que os jatos parecem "dançar", desviando-se em diferentes direções à medida que o buraco negro e a estrela companheira orbitam um ao outro. Segundo Steve Prabu, da Universidade de Oxford, essa dança é provocada pelos ventos estelares da supergigante azul, que empurram e distorcem os jatos ao longo do tempo.

Os resultados confirmam que cerca de 10% da energia liberada pela matéria que cai em direção ao buraco negro é canalizada para esses jatos — um valor amplamente assumido em modelos cosmológicos, mas difícil de comprovar por observações.

A medição fornece, pela primeira vez, uma referência sólida para estimar a energia de jatos em outros sistemas.

O estudo abre caminho para investigações futuras sobre jatos de buracos negros supermassivos, milhões ou bilhões de vezes mais massivos que o Sol. Como a física fundamental é semelhante, a medição inédita em Cygnus X‑1 permitirá calibrar futuras observações do SKA, que deverá detectar jatos em milhões de galáxias distantes e ajudar a compreender como essas estruturas influenciam a evolução galáctica.