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Moedas antigas revelam destruição de Fanagoria no século VI
Achado em Fanagoria indica ataque violento e abandono repentino após incêndio devastador
Arqueólogos que atuam em Fanagoria, no sul da Rússia, identificaram conjuntos de moedas pertencentes a carteiras perdidas durante um incêndio devastador no século VI d.C., oferecendo um raro retrato de uma comunidade surpreendida por uma destruição repentina.
As escavações, realizadas entre 2023 e 2024 na chamada Cidade Baixa, revelaram que os conjuntos representam o conteúdo de pelo menos quatro carteiras abandonadas em meio ao caos da fuga. A região já era conhecida pelo traçado urbano denso e por suas estruturas religiosas. A análise, conduzida pelos pesquisadores Mikhail Abramzon e Sergei Ostapenko, foi publicada no periódico do Instituto de Arqueologia da Academia de Ciências da Rússia.
Fanagoria, fundada no século VI a.C. por colonos gregos, rapidamente se tornou um centro estratégico na península de Taman. Integrada ao reino do Bósforo no século V a.C., a cidade funcionou como núcleo administrativo e elo entre o mundo grego, os povos das estepes e as rotas comerciais orientais, mantendo relevância até o início da Idade Média.
A camada arqueológica onde as moedas foram encontradas corresponde a um evento de destruição datado entre 545 e 554 d.C. Uma moeda do reinado de Justiniano I ajuda a delimitar o período, enquanto relatos de Procópio de Cesareia descrevem ataques que devastaram Fanagoria e cidades vizinhas, reforçando a hipótese de um episódio violento.
As escavações trouxeram à luz restos de uma sinagoga, edifícios públicos e um bairro judeu, todos destruídos no mesmo incêndio. Próximo dali, projéteis de pedra sugerem o uso de máquinas de cerco, indicando que o fogo foi consequência de um ataque militar. É possível que moradores tenham buscado abrigo na sinagoga enquanto a cidade era tomada.
As carteiras, provavelmente confeccionadas em couro ou tecido, não resistiram ao incêndio, mas as moedas permaneceram no local exato onde caíram. Cada conjunto continha entre três e dez estáteres de bronze, valores modestos que sugerem proprietários de origem comum, embora o significado histórico do achado seja notável.
Um dos aspectos mais surpreendentes é a idade das moedas: os estáteres do reino do Bósforo haviam deixado de ser cunhados mais de dois séculos antes, mas ainda circulavam no século VI. Isso indica um sistema monetário local resiliente, sustentado pela escassez de novas emissões ou pela confiança em moedas antigas.
Uma das carteiras continha falsificações de estáteres de Rhescuporis VI, com retratos rudimentares e erros nas inscrições. Todas parecem ter sido produzidas com o mesmo cunho, sugerindo fabricação local pouco antes da destruição. Em vez de imitações do século IV, como se pensava, os achados apontam para falsificações do século VI, revelando tensões econômicas nas últimas décadas da cidade.

