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Estudo aponta semelhanças entre comunicação de baleias-cachalote e linguagem humana

Pesquisadores identificam padrões semelhantes a “vogais” em vocalizações dos animais no Caribe

Por Redação 16/04/2026 13h01
Estudo aponta semelhanças entre comunicação de baleias-cachalote e linguagem humana
Baleia Cachalote - Foto: GettyImages

Mesmo vivendo em ambientes distintos, humanos e baleias-cachalote (Physeter macrocephalus) podem compartilhar mais semelhanças do que se imaginava. Um estudo recente revelou que a forma de comunicação desses animais apresenta características comparáveis a idiomas humanos, como mandarim, latim e esloveno.

As cachalotes não utilizam palavras, mas se comunicam por meio de cliques conhecidos como codas, que formam padrões complexos. Segundo os pesquisadores, esses sons funcionam de maneira semelhante a um sistema estruturado, com elementos comparáveis a um “alfabeto” e variações que lembram vogais.

O estudo integra as pesquisas da Iniciativa de Tradução de Cetáceos (Ceti), que investiga a comunicação dessas baleias em uma região do Caribe. Os resultados foram divulgados na revista científica Proceedings B nesta quarta-feira (15). “As vocalizações de coda das baleias-cachalote são extremamente complexas e representam um dos paralelos mais próximos da fonologia humana dentre todos os sistemas de comunicação animal analisados”, destacam os autores no artigo.

A análise foi baseada em registros de cachalotes na costa de Dominica. Os cientistas observaram que os animais conseguem variar seus cliques em duração e frequência, produzindo sons curtos ou prolongados, além de tons ascendentes e descendentes — características que se aproximam da estrutura de línguas humanas.

O avanço é considerado significativo no campo da comunicação animal. Até a década de 1950, não havia conhecimento sobre a existência de “fala” entre baleias. Com o uso de tecnologias mais recentes, como inteligência artificial, os estudos passaram a identificar padrões cada vez mais sofisticados.

Para David Gruber, fundador do projeto Ceti, a descoberta reforça a complexidade dessas espécies. “Acho que é mais um momento de humildade perceber que não somos a única espécie com vidas ricas, comunicativas, comunitárias e culturais. Essas baleias podem estar transmitindo informações de geração em geração há mais de 20 milhões de anos”, afirmou ao portal The Guardian.

Ele também explica que as interações ocorrem de forma próxima entre os animais. “É como se você quisesse conversar com alguém sobre um romance ou algo do tipo – você não faria isso de lados opostos de um estádio de futebol. Você precisaria estar bem perto para ter uma conversa realmente sofisticada”, disse.

Apesar dos avanços, os cientistas ainda não conseguem interpretar o significado das vocalizações. O objetivo do projeto é decifrar pelo menos 20 tipos de expressões das cachalotes nos próximos cinco anos.

*Com informações de Metrópoles