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Pesquisadores criam protetor solar à base de cerveja

A pesquisa da USP indica que compostos do lúpulo têm potencial protetor

Por Redação 13/04/2026 15h03
Pesquisadores criam protetor solar à base de cerveja
Lúpulo - Foto: Reprodução/Web

Pesquisadores brasileiros descobriram que resíduos de lúpulo, um dos principais componentes da cerveja, podem ser utilizados na produção de protetores solares. Ao incorporar o material descartado na formulação de filtros solares, os resultados indicaram eficácia, além de contribuir para o reaproveitamento de resíduos industriais.

Na fabricação da cerveja, o lúpulo pode ser adicionado durante a fervura do mosto, líquido obtido da mistura entre malte de cevada e água quente ou após a fermentação. Quando inserido na segunda etapa, parte dos compostos bioativos não é aproveitada e acaba sendo descartada.

A partir dessa constatação, os pesquisadores analisaram os resíduos e identificaram a presença de substâncias com propriedades benéficas, como ácidos amargos, óleos essenciais e polifenóis. Estes últimos se destacam pela ação antioxidante, auxiliando na proteção da pele contra os raios ultravioleta.

O estudo foi conduzido pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP) e teve os resultados publicados na revista científica Photochem, no início de fevereiro.

Durante os testes, foram preparados dois tipos de extratos de lúpulo: um proveniente do processo de fabricação da cerveja e outro sem utilização prévia. Ambos foram incorporados a protetores solares com proteção contra raios UVA e UVB, com o objetivo de comparar a eficácia entre o material puro e o reutilizado.

Os resultados laboratoriais indicaram que os dois extratos apresentaram ação fotoprotetora. No entanto, o material reaproveitado demonstrou maior eficiência em comparação ao extrato não utilizado.

“Isso acontece provavelmente por causa da eliminação das substâncias voláteis envolvidas na fabricação da cerveja, deixando compostos que têm ligações químicas necessárias para a fotoproteção”, explica um dos autores do estudo, Daniel Pecoraro Demarque, em entrevista à Agência Fapesp.

Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores destacam que ainda são necessárias etapas adicionais antes da comercialização do produto. “São necessários estudos e validações complementares, como a estabilidade em longo prazo do protetor solar, padronização dos compostos bioativos e avaliação clínica de segurança e eficácia”, afirma um dos coordenadores do trabalho, André Rolim Baby.

*Com informações de Metrópoles