Ciência, tecnologia e inovação
Pesquisa da Ufal analisa relação entre clima e impactos na saúde pública
Principal avanço foi o desenvolvimento de modelos preditivos capazes de antecipar o aumento de internações
Pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) concluíram um estudo que pode transformar a forma como gestores públicos se antecipam a crises na saúde. O resultado foi apresentado durante o workshop de encerramento do Projeto Prisma, realizado entre os dias 30 de março e 2 de abril, na sede da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), em Maceió.
A pesquisa investigou a relação entre fatores climáticos, poluição do ar e impactos na saúde pública, com foco em doenças respiratórias. Coordenado por professores do Instituto de Ciências Atmosféricas (Icat/Ufal) - Fabrício Silva, Glauber Mariano e Heliofábio Gomes - o estudo contou ainda com a colaboração do pesquisador Marcos Paulo Pereira.
O principal avanço do Projeto Prisma foi o desenvolvimento de modelos preditivos capazes de antecipar o aumento de internações hospitalares com até duas semanas de antecedência. A ferramenta pode auxiliar diretamente no planejamento de leitos e na organização dos serviços de saúde.
“Desenvolvemos modelos preditivos que sinalizam o aumento de internações por doenças respiratórias com até duas semanas de antecedência. Para Maceió e Recife, os índices de precisão foram excelentes, utilizando variáveis meteorológicas locais”, explicou o professor Glauber Mariano.
O estudo analisou dados de sete capitais sul-americanas: Maceió, Salvador, Recife, Porto Alegre, Curitiba, Lima e La Paz. Com base nessas informações, os pesquisadores conseguiram identificar padrões que relacionam condições climáticas e qualidade do ar ao aumento de doenças respiratórias.
Contemplado por edital do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o projeto reuniu uma ampla rede de colaboração com instituições brasileiras e internacionais, como a Universidad Mayor de San Andrés, na Bolívia, e a Universidad Nacional Tecnológica de Lima Sur, no Peru.
Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores destacam desafios para ampliar a precisão dos modelos. Em cidades como Maceió e Recife, a ausência de estações de monitoramento de alta precisão para poluição atmosférica limita o potencial da ferramenta. Atualmente, Maceió conta com sensores de baixo custo operados pelo Icat/Ufal, que fornecem dados indicativos da qualidade do ar.
A próxima etapa do Projeto Prisma será a entrega oficial das ferramentas para aplicação em secretarias de saúde nos níveis municipal, estadual e federal. Segundo os pesquisadores, a ampliação da infraestrutura de monitoramento ambiental será fundamental para garantir maior eficiência e expandir o uso dos modelos.
“A possibilidade de expansão e melhoria contínua do projeto existe, mas depende de investimentos em infraestrutura de monitoramento nessas cidades”, concluiu Glauber Mariano.


