Ciência, tecnologia e inovação

IA autônoma supera humanos ao criar algoritmos para decifrar o Universo

Sistema aprimora códigos científicos e supera métodos tradicionais em tarefas da cosmologia

Por Sputnik Brasil 23/03/2026 12h12 - Atualizado em 23/03/2026 12h12
IA autônoma supera humanos ao criar algoritmos para decifrar o Universo
Foto: © Sputnik / AI generated

A colaboração entre astrônomos e inteligência artificial (IA) está apenas começando a demonstrar seu potencial, especialmente diante do volume crescente de dados cósmicos que ultrapassa a capacidade humana de análise. A complexidade dos desafios atuais exige abordagens inovadoras para explorar espaços conceituais cada vez mais sofisticados.

Segundo artigo publicado no portal Space, os algoritmos cosmológicos tradicionais, utilizados para simular a evolução do Universo e reconstruir suas propriedades físicas, atingiram um limite. Surge então uma questão provocadora: e se o próximo grande avanço vier de uma IA capaz de escrever e aprimorar seu próprio código?

Nesse contexto, destaca-se o MadEvolve, um framework desenvolvido para aprimorar continuamente algoritmos científicos já existentes. Ele atua como um aprendiz incansável, refinando versões básicas criadas por humanos e otimizando seu desempenho por meio de modificações iterativas e inteligentes.

De acordo com o artigo, o MadEvolve vai além de ajustes superficiais. Em tarefas cruciais da cosmologia computacional, o sistema superou algoritmos de referência criados por especialistas humanos, estabelecendo novos padrões de excelência ao combinar Modelos de Linguagem de Grande Porte (LLMs, na sigla em inglês), que sugerem mutações de código, e programação evolutiva, que seleciona as melhores soluções ao longo de gerações.

Embora os LLMs possam apresentar instabilidades em cálculos físicos rigorosos, o MadEvolve contorna essa limitação ao restringi-los a tarefas com métricas claras e verificáveis. Avaliadores físicos asseguram que cada modificação realmente melhore o desempenho, mantendo o processo cientificamente sólido.

Um algoritmo de inteligência artificial (IA) conseguiu recentemente descobrir 1.300 anomalias, ou objetos com aparências incomuns, em dados de arquivo do telescópio Hubble. Centenas dessas anomalias nunca haviam sido documentadas antes
Um algoritmo de inteligência artificial (IA) conseguiu recentemente descobrir 1.300 anomalias, ou objetos com aparências incomuns, em dados de arquivo do telescópio Hubble. Centenas dessas anomalias nunca haviam sido documentadas antes

Testado em áreas desafiadoras da cosmologia, o MadEvolve obteve avanços expressivos na reconstrução das condições iniciais do Universo, na remoção de contaminações de sinais fracos e na otimização de simulações de N-corpos. Em alguns casos, superou o próprio estado da arte desenvolvido por humanos, ampliando a capacidade de extrair conhecimento do crescente fluxo de dados astronômicos.

Além da cosmologia, o MadEvolve foi concebido como uma estrutura geral, com potencial para transformar outras áreas científicas e tecnológicas, desde a engenharia de software até o aprimoramento de redes neurais.