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Mudanças climáticas estão tornando os dias na Terra mais longos, aponta estudo

A pesquisa indica que o aumento atual na duração dos dias é o mais significativo registrado em pelo menos 3,6 milhões de anos

Por Redação* 13/03/2026 11h11
Mudanças climáticas estão tornando os dias na Terra mais longos, aponta estudo
Derretimento do gelo nos polos redistribui a massa dos oceanos e desacelera levemente a rotação da Terra, alongando os dias - Foto: Markus Trienke/Wikimedia

Os dias na Terra estão ficando ligeiramente mais longos, e as mudanças climáticas podem ser um dos principais fatores por trás desse fenômeno. É o que aponta um estudo publicado nesta semana na revista científica Journal of Geophysical Research: Solid Earth.

A pesquisa indica que o aumento atual na duração dos dias é o mais significativo registrado em pelo menos 3,6 milhões de anos. O trabalho foi conduzido por cientistas da University of Vienna e da ETH Zurich.

De acordo com os pesquisadores, o fenômeno está ligado ao derretimento acelerado das calotas polares e das geleiras. Esse processo redistribui grandes volumes de água pelo planeta, elevando o nível do mar e provocando pequenas alterações na rotação da Terra.

Atualmente, os cientistas estimam que os dias estejam se tornando cerca de 1,33 milissegundo mais longos a cada século. Embora o aumento pareça mínimo, ele representa uma mudança relevante quando analisado em escala geológica.

Evidências em fósseis marinhos


Para reconstruir o histórico dessas mudanças, os pesquisadores analisaram fósseis de foraminíferos bentônicos. A composição química desses organismos permite identificar variações no nível do mar ao longo de milhões de anos.

Com base nessas informações, os cientistas conseguiram calcular como a rotação da Terra variou no passado. Nos últimos 2,6 milhões de anos, o crescimento e o derretimento de grandes calotas de gelo já provocaram mudanças no comprimento dos dias — mas nenhuma delas foi tão intensa quanto a atual.

Segundo o primeiro autor do estudo, Mostafa Kiani Shahvandi, a análise química dos fósseis permitiu estimar as oscilações do nível do mar e, a partir delas, calcular matematicamente as alterações na rotação do planeta.

Para tornar as estimativas mais precisas, os cientistas também utilizaram um modelo computacional capaz de processar grandes volumes de dados climáticos e reconstruir a evolução do nível do mar ao longo do tempo, considerando as incertezas naturais presentes nos registros do clima do passado.

Mudanças climáticas podem influenciar rotação do planeta


Os pesquisadores afirmam que a velocidade atual dessas transformações climáticas é incomum na história recente da Terra. Segundo eles, o aumento no tempo de duração dos dias está provavelmente relacionado às atividades humanas que impulsionam o aquecimento global.

As projeções indicam que, até o fim do século, o impacto das mudanças climáticas na rotação do planeta pode até superar o efeito gravitacional da Lua, que normalmente é o principal fator natural responsável por pequenas variações no ritmo de rotação da Terra.

Embora a diferença seja medida em milissegundos, ela pode ter impactos relevantes em áreas que dependem de medições extremamente precisas de tempo e posição no planeta, como sistemas de navegação espacial, satélites e tecnologias avançadas de geolocalização.

*Com informações do G1