Ciência, tecnologia e inovação

Pesquisa da Ufal fortalece a agricultura familiar em Arapiraca

Denominado Sistema Agroflorestal Terra Mãe, o projeto vem se consolidando como referência em produção sustentável de alimentos

Por Redação com Ufal 24/02/2026 16h04
Pesquisa da Ufal fortalece a agricultura familiar em Arapiraca
Pesquisa tem o objetivo de fortalecer a agricultura familiar em Arapiraca - Foto: Reprodução

O Sistema Agroflorestal (SAF) Terra Mãe, desenvolvido no Campus Arapiraca da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), vem se consolidando como referência em produção sustentável de alimentos e apoio à agricultura familiar em Alagoas. A iniciativa integra ensino, pesquisa e extensão, aliando conhecimento acadêmico à prática no campo.

O projeto aplica princípios da agroecologia ao combinar culturas de ciclos curto, médio e longo com espécies arbóreas, formando um modelo inspirado na dinâmica de uma floresta produtiva. A proposta contribui para a recuperação do solo, aumento da biodiversidade e redução da dependência de insumos externos.

Segundo o coordenador do curso de Agronomia e idealizador da iniciativa, Cícero Adriano Vieira, o nome Terra Mãe remete ao conceito de terra como fonte de vida e alimento, reforçando o compromisso com a produção saudável e a preservação ambiental.

“Terra Mãe é um nome que remete à Pachamama, à Terra como fonte de vida. É um conceito que dialoga diretamente com nossa proposta de produzir alimentos saudáveis e, ao mesmo tempo, recuperar o ambiente. Colocamos Terra Mãe porque é essa parte da terra de onde brota a vida, a alimentação, onde a gente vive”, explicou Cícero Adriano Vieira, coordenador do curso de Agronomia e idealizador da SAF.

Diversidade produtiva e manejo sustentável

Atualmente, o sistema cultiva cerca de 15 espécies, entre hortaliças, frutíferas e plantas arbóreas. Já estão em produção banana, mamão, pimentão e tomate, além de culturas como couve, quiabo, abóbora, moringa, aroeira, goiaba, limão, laranja e café.

Entre as práticas adotadas estão a cobertura do solo com madeira triturada proveniente de podas urbanas e a irrigação por gotejamento. A técnica protege o solo da incidência direta do sol, preserva a umidade e, com o tempo, transforma-se em matéria orgânica, melhorando a fertilidade.

O modelo também prioriza o policultivo, permitindo colheitas contínuas e diversificadas. A proposta inclui ainda a possibilidade de integração com criação de animais, ampliando a autonomia dos agricultores familiares e reduzindo custos com fertilizantes químicos e sementes industrializadas.

A experiência do Terra Mãe servirá como base para implantação de novos sistemas agroflorestais em comunidades indígenas, quilombolas e assentamentos rurais. A iniciativa conta com parceria do Instituto Federal de Alagoas (Ifal), Campus Murici, e com o Núcleo de Estudo Agroecológico (Neia), projeto aprovado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Estão previstos novos SAFs na aldeia indígena Tinguibotó, no quilombo Carrasco, em Arapiraca, e em assentamentos como Rendeiras e José Lenilson, além de áreas em Teotônio Vilela, onde há maior disponibilidade de água.


Papel estratégico da universidade

De acordo com o coordenador, a universidade pública exerce papel fundamental no desenvolvimento de tecnologias sociais voltadas às demandas regionais. Com estrutura técnica, áreas experimentais e profissionais qualificados, a Ufal fortalece o desenvolvimento rural sustentável e a produção de alimentos saudáveis no estado.

Localizado em uma região marcada pela agricultura familiar, o Campus Arapiraca tem ampliado pesquisas e ações voltadas ao campo e mantém o espaço aberto à visitação de agricultores, técnicos e instituições interessadas em conhecer e replicar o modelo agroflorestal.