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Estudo da Ufal liga poluição a câncer em capitais; Maceió tem 28 casos
Pesquisa aponta que 13% das mortes por câncer de pulmão no Brasil estão associadas ao PM2.5
Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) acendeu um alerta sobre os impactos da poluição do ar na saúde pública brasileira. A pesquisa revela que mais de 13% das mortes por câncer de pulmão nas capitais do país estão relacionadas à exposição prolongada ao material particulado fino (PM2.5).
O trabalho tem como primeiro autor o estudante de Medicina Albery Batista de Almeida Neto, com orientação do professor Flavio Manoel Rodrigues da Silva Júnior, do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS), e foi publicado na revista científica internacional Atmosphere.
A análise reuniu dados de 2014 a 2023 nas 27 capitais brasileiras, cruzando informações sobre níveis de poluição atmosférica e mortalidade por câncer de pulmão. Para estimar as mortes atribuíveis ao poluente, os pesquisadores utilizaram metodologia desenvolvida pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Segundo o levantamento, 97,41% das médias anuais de PM2.5 superaram os limites recomendados pela OMS. Além disso, quase um terço das medições ficou acima do padrão brasileiro vigente, indicando exposição crônica da população urbana a níveis prejudiciais de poluição. No total, o estudo estima que 9.631 mortes por câncer de pulmão no período analisado estejam associadas à má qualidade do ar.
Em Maceió, a estimativa aponta que 28 mortes por câncer de pulmão na última década tiveram relação com a poluição atmosférica, o equivalente a cerca de 3% dos óbitos pela doença na capital alagoana. De acordo com o professor Flavio Rodrigues, os índices registrados em Maceió e em outras capitais do Nordeste ficaram abaixo da média nacional, refletindo níveis de poluição relativamente menores na região.
Formação médica e saúde ambiental
Além dos dados epidemiológicos, os autores destacam a importância de integrar a temática ambiental à formação médica. Para o orientador do estudo, a participação de um estudante de Medicina como autor principal demonstra o alinhamento da universidade aos desafios contemporâneos da saúde global.
A pesquisa também contou com a colaboração de docentes do Instituto de Ciências Atmosféricas da Ufal e de pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade Federal do Rio Grande (Furg).
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