Ciência, tecnologia e inovação
UFAL e UFV realizam pesquisa para aprimorar diagnóstico de leishmaniose
Proposta é democratizar diagnóstico de alta tecnologia, rápido e acessível
A Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e a Universidade Federal de Viçosa (UFV) uniram forças para avançar no aprimoramento de ferramentas de diagnóstico para a leishmaniose no Brasil, com foco especial em Alagoas. A pesquisa reúne desenvolvimento biotecnológico para proporcionar testes mais precisos, acessíveis e aptos ao uso na saúde pública.
As leishmanioses são doenças tropicais causadas por protozoários do gênero Leishmania, transmitido pela picada de flebotomíneos, conhecidos popularmente como mosquito-palha, mosquito-pólvora ou birigui, podendo ser transmitida, inclusive, para animais de estimação (leishmaniose canina)
Dividida em vários tipos, alguns dos sintomas da leishmaniose são lesões na pele, lesões em mucosas, febre, aumento do baço e do fígado, fraqueza extrema, emagrecimento, perda de apetite, palidez, anemia, diarreia e sangramentos.
De acordo com dados apresentados pelo professor Wagnner Porto, do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS/Ufal), na região metropolitana de Maceió, estudos epidemiológicos e moleculares ainda são escassos; em Alagoas a prevalência da LVC foi estimada em torno de 9,9% e a participação de áreas urbanas nas notificações de leishmaniose cresceu, alcançando 35,1% dos casos em 2022. Entre 2013 e 2022, foram notificados 645 casos de Leishmaniose Tegumentar no Estado.
“O diagnóstico atual é limitado, uma vez que o exame direto tem baixa sensibilidade e os métodos sorológicos possuem baixa especificidade. O Teste de Montenegro foi descontinuado e métodos moleculares [PCR] são caros e complexos para áreas mais vulneráveis. O diagnóstico tardio leva a complicações, deformidades e custos elevados de tratamento para o sistema de saúde”, contextualiza Porto, que é o supervisor geral das atividades do projeto em Alagoas, ao lado do professor Abelardo Silva Júnior (ICBS).
De acordo com o professor, a pesquisa busca uma tecnologia que combine a precisão molecular com a simplicidade de testes rápidos, que seriam ideais para o ponto de atendimento no SUS. Para isso, os pesquisadores pretendem validar o teste imunocromatográfico já desenvolvido pelo grupo da professora Juliana Fietto, da UFV, para detectar anticorpos anti-Leishmania sp. em cães, comparando-o com técnicas padronizadas.

A UFV é uma referência nacional em ciências biológicas e agrárias, possuindo grupos de pesquisa consolidados em parasitologia e biologia molecular. O grupo de pesquisadores já instituição concebeu e testou, in silico e in vitro, primers específicos para Lamp, e criou o teste imunocromatográfico.
“A expertise do grupo de pesquisa da UFV em biologia molecular permitiu a identificação de alvos genéticos conservados e a criação de iniciadores otimizados, superando a fase inicial de descoberta, que frequentemente onera projetos”, explicou Wagnner Porto.
“Essa união permite que um diagnóstico de alta tecnologia chegue de forma rápida à população, ajudando a controlar a disseminação da doença nos animais e, consequentemente, protegendo a saúde humana através da abordagem de Saúde Única”, conclui Wagnner Porto sobre as expectativas.


