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Rede de ondas eletromagnéticas é detectada em lua de Saturno

Fenômeno foi identificado no pequeno satélite natural Encélado

Por Sputnik Brasil 18/02/2026 10h10
Rede de ondas eletromagnéticas é detectada em lua de Saturno
Encélado - Foto: © Foto / NASA/JPL/Space Science Institute

Uma análise inédita dos dados da missão Cassini identificou que os gêiseres da pequena lua Encélado, de Saturno, geram ondas eletromagnéticas que se propagam por mais de 500 mil quilômetros, transformando o pequeno corpo gelado em um gerador de energia com impacto em todo o sistema do planeta.

Encélado, com apenas 500 quilômetros de diâmetro, revelou-se muito mais influente do que se imaginava. Novos estudos mostram que seus efeitos eletromagnéticos extrapolam meio milhão de quilômetros — uma distância superior à que separa a Terra da Lua.

O trabalho, liderado por Lina Hadid, analisou dados de quatro instrumentos da Cassini para entender como os gêiseres de água de Encélado provocam perturbações de longo alcance. As colunas expelidas pelas fissuras do hemisfério sul se ionizam sob a radiação de Saturno, formando um plasma que interage intensamente com o campo magnético do planeta.

Essa interação dá origem às chamadas "asas de Alfvén", ondas eletromagnéticas que viajam ao longo das linhas do campo magnético, conectando Encélado aos polos de Saturno. Em vez de se dissiparem rapidamente, essas ondas refletem várias vezes entre a ionosfera do planeta e o toro de plasma que circunda a órbita da lua.

Cada reflexão gera novas ondas, formando uma rede complexa de estruturas eletromagnéticas que se espalham pelo plano equatorial de Saturno e alcançam altas latitudes. A Cassini registrou essas assinaturas em 36 ocasiões, muito além do que os cientistas previam.

As medições revelaram que as ondas de Alfvén se estendem por mais de 504 mil quilômetros — mais de 2.000 vezes o raio de Encélado. Segundo os autores, é a primeira vez que se observa um alcance eletromagnético tão vasto gerado por uma lua desse porte, que atua como um "gigantesco gerador" de energia planetária.

A análise também identificou estruturas finas dentro da asa principal, resultado de turbulências que fragmentam as ondas em filamentos. Esses filamentos transportam energia até altas latitudes da ionosfera de Saturno, onde surgem auroras diretamente associadas à atividade de Encélado.

Os resultados oferecem um modelo valioso para estudar interações semelhantes em luas geladas de Júpiter e até em sistemas exoplanetários. Eles também reforçam a relevância das futuras missões da Agência Espacial Europeia (ESA) a Encélado, previstas para a década de 2040, que deverão investigar essas dinâmicas com instrumentos ainda mais avançados.