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Astrônomos chineses detectam possível buraco negro devorando anã branca

Achado lança nova luz sobre um fenômeno cósmico raramente observado

Por Sputnik Brasil 13/02/2026 14h02 - Atualizado em 13/02/2026 14h02
Astrônomos chineses detectam possível buraco negro devorando anã branca
Buracos negros de massa intermediária são considerados o elo perdido entre os buracos negros de massa estelar e os supermassivos - Foto: © Foto / Universidade de Warwick / Mark Garlick

Astrônomos chineses anunciaram a provável primeira evidência direta de um buraco negro de massa intermediária destruindo e consumindo uma estrela anã branca. O achado lança nova luz sobre um fenômeno cósmico raramente observado, embora amplamente teorizado pela ciência.

A detecção foi baseada em observações de uma intensa explosão de alta energia, catalogada como EP250702a, registrada pelo telescópio espacial de raios X Einstein Probe (EP), da China, conforme divulgado pelos Observatórios Astronômicos Nacionais da Academia Chinesa de Ciências. Os resultados foram publicados neste mês na revista científica Science Bulletin, segundo o portal Ecns.cn.

Buracos negros de massa intermediária são considerados o elo perdido entre os buracos negros de massa estelar e os supermassivos. Eles são difíceis de detectar por emitirem poucos sinais observáveis, a menos que estejam ativamente absorvendo matéria ao redor.

Astrofísicos do Departamento de Física da Universidade de Hong Kong (HKU), integrantes da equipe científica do EP, colaboraram com outros pesquisadores para interpretar o fenômeno. A principal hipótese é que o evento represente o momento exato em que um buraco negro de massa intermediária despedaça e consome uma anã branca.

Li Dongyue, pesquisador do observatório, explicou que uma explosão inicial de raios X foi detectada quase um dia antes do clarão de raios gama, indicando que não se tratava de uma erupção comum de raios gama. Esse sinal precoce de raio X mostra que o "motor" do evento já estava ativo antes do surgimento dos raios gama, detalhou Li.

Observações complementares de telescópios ao redor do mundo acompanharam o fenômeno por mais de um mês. Os dados mostraram que o brilho diminuiu mais de 100 mil vezes em poucas semanas, um ritmo de enfraquecimento muito mais acelerado do que o registrado em outros eventos de destruição estelar conhecidos.

Zhang Wenda, pesquisador adjunto do observatório, afirmou que as erupções de longa duração e a extrema emissão de energia são compatíveis com raros eventos de destruição estelar por buracos negros que envolvem jatos de matéria em altíssima velocidade.

Com base nos dados coletados, a equipe concluiu que a explicação mais provável é a de uma anã branca, um denso remanescente estelar, sendo despedaçada por um buraco negro de massa intermediária dezenas de milhares de vezes mais massivo que o Sol.