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Marcas de mãos de 67.800 anos na Indonésia desafiam cronologia da arte humana

Marcas foram criadas ao se soprar pigmento sobre as mãos apoiadas na parede

Por Sputnik Brasil 22/01/2026 10h10 - Atualizado em 22/01/2026 19h07
Marcas de mãos de 67.800 anos na Indonésia desafiam cronologia da arte humana
Marcas foram vistas na Indonésia - Foto: © REUTERS Handout/Ahdi Agus Oktaviana

Impressões de mãos descobertas em cavernas pouco exploradas de Sulawesi, na Indonésia, podem representar a arte rupestre mais antiga já identificada, datada de pelo menos 67.800 anos. As marcas foram criadas ao se soprar pigmento sobre as mãos apoiadas na parede, formando estênceis — alguns deles com dedos propositalmente alongados ou pontiagudos.

A técnica empregada e o cuidado nas pinturas sugerem que a ilha abrigava uma cultura artística florescente. Para determinar a idade das obras, pesquisadores analisaram crostas minerais formadas sobre os estênceis, método que reforçou a antiguidade excepcional das imagens.

A descoberta empolgou especialistas como a paleoantropóloga Genevieve von Petzinger, que afirmou à AP que os resultados fazem sentido diante do que já se conhece sobre a evolução da arte humana. A Indonésia já era reconhecida por abrigar algumas das pinturas rupestres mais antigas do mundo.

Essas novas impressões superam registros anteriores, como marcas de 73 mil anos na África do Sul, e apontam para uma tradição mais complexa de arte rupestre. Segundo o pesquisador Maxime Aubert, autor do estudo publicado na revista Nature, os estênceis podem refletir uma prática cultural compartilhada entre grupos humanos da região.

A descoberta também amplia a compreensão sobre quando os primeiros humanos passaram de simples marcas para representações mais elaboradas de si mesmos e do mundo ao redor. Essas pinturas ajudam a consolidar uma linha do tempo para o surgimento da criatividade simbólica.

A autoria das marcas, contudo, permanece incerta. Elas podem ter sido feitas por Denisovanos, que habitaram a região e possivelmente interagiram com Homo sapiens, ou por humanos modernos em migração. Detalhes como dedos intencionalmente modificados reforçam a intervenção consciente dos autores.

Outras figuras encontradas na mesma área — como a de um humano, um pássaro e animais semelhantes a cavalos — são bem mais recentes, datadas de cerca de 4.000 anos. Pesquisadores acreditam que ilhas próximas possam revelar obras ainda mais antigas e veem a descoberta como um ponto de partida para novas explorações sobre a história da arte e da humanidade.

Com informações da Sputinik Brasil