Ciência, tecnologia e inovação
Bate Coração: programa pioneiro de Alagoas que combate o infarto do miocárdio
Iniciativa, instituída no governo Paulo Dantas, promove atendimento rápido com equipamentos modernos e salva centenas de alagoanos por ano
O infarto do miocárdio é a doença que mais mata no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, são cerca de 300 a 400 mil casos por ano em todo o país e um óbito entre 5 a 7 casos. Uma doença silenciosa que, se não tratada a tempo, pode levar à morte. O atendimento de urgência e emergência nos primeiros minutos pode salvar uma vida.
Pensando nisso, cardiologistas alagoanos criaram o Bate Coração, programa pioneiro instituído pelo Governo de Alagoas em março de 2024 que interliga unidades de saúde de todo o estado por meio da telemedicina.
Disponível 24h por dia, o serviço dispõe de especialistas que avaliam exames, orientam condutas e garantem o atendimento mais rápido e eficaz a pacientes com suspeita de infarto.
O programa trouxe modernização aos hospitais de Alagoas, com equipamentos de última geração que possibilitam o melhor e mais rápido atendimento possível a todos os alagoanos, interligando Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) hospitais regionais e demais unidades de atendimento da rede estadual.
Infarto do Miocárdio
De acordo com o Ministério da Saúde, o Infarto Agudo do Miocárdio é “a morte de células do coração devido a formação de coágulos que interrompem o fluxo sanguíneo de forma súbita e intensa. Pode ocorrer em diversas partes do coração, dependendo da área que foi obstruída”.
Em alguns casos raros, pode acontecer por contração da artéria, interrompendo o fluxo sanguíneo ou por desprendimento de um coágulo originado dentro do coração que se aloja nos vasos sanguíneos.
Ideia
“Começou com uma preocupação de todos os cardiologistas com o infarto do miocárdio. O infarto do miocárdio é a doença mais ameaçadora que tem no mundo moderno. É uma doença que, se não for atendida a tempo, a mortalidade é muito alta. Há cinco ou seis anos, a mortalidade na rede SUS era de 20% e, na rede privada - onde as pessoas têm um acesso mais bem estruturado -, isso caía abaixo de 4%”, destacou o Dr. José Wanderley Neto, especialista alagoano que integra o programa.
De acordo com o cardiologista, um empurrão necessário para a implantação do programa foi a instalação de uma hemodinâmica no Hospital Geral do Estado (HGE), um equipamento que ajuda a reverter o infarto, fato ocorrido na gestão Renan Filho.
“Mas ainda não foi suficiente porque, para você resgatar uma pessoa que está sofrendo um infarto, ela tem que chegar o mais rápido possível em um serviço de saúde organizado. Com a construção de uma rede grande de saúde - UPAs e hospitais regionais -, isso foi possível já no governo de Paulo Dantas. E aí se constituiu esse programa, que é coordenado pelo Hospital do Coração Alagoano”, explicou.
Funcionamento
“Se alguém estiver com dor no peito, que pode ser um infarto, ele precisa ir para a porta de entrada de uma urgência, que são as UPAs, hospitais regionais ou o HGE. Chegando lá, com a telemedicina, em 10 minutos ele tem comprovado o infarto e já começa a ser tratado. Se estiver perto de uma hemodinâmica, ele já é atendido. Se não, com a orientação do Hospital do Coração, ele recebe uma medicação chamada trombolítico, que dissolve o coágulo obstruindo o vaso responsável pelo infarto”, disse o Dr. José Wanderley.
O programa também garante o pós-atendimento ao paciente, com a realização de um cateterismo para avaliar a necessidade de um tratamento complementar.
Exemplo nacional
De acordo com o cardiologista, o programa, em dois anos, foi capaz de reduzir a mortalidade igualmente à rede privada, o que é um fato extraordinário do ponto de vista da saúde pública. Foram mais de 1.200 atendimentos realizados em todo o estado.
“Esse programa é pioneiro no país inteiro. Não tem nenhum estado na federação que tenha um programa como esse, isso graças às ações de saúde pública do governo do estado de Alagoas. Começou com Renan Filho e continuou com Paulo Dantas”, concluiu o Dr. José Wanderley.


