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"Superlua" ou Lua de Perigeu? Entenda o fenômeno astronômico deste sábado (3)

Satélite estará 362 mil km mais próximo da Terra, prometendo um brilho até 13% maior; especialistas explicam por que a diferença é difícil de notar a olho nu

Por Redação com Agência Brasil 02/01/2026 17h05
'Superlua' ou Lua de Perigeu? Entenda o fenômeno astronômico deste sábado (3)
"Superlua" ou Lua de Perigeu? Entenda o fenômeno astronômico deste sábado (3) - Foto: Agência Brasil

Embora seja popularmente conhecida como Superlua, o nome correto para o fenômeno que poderá ser observado neste sábado (3) é Lua Cheia de Perigeu. A denominação, utilizada por astrônomos, refere-se ao momento em que a Lua Cheia está mais próxima da Terra em sua órbita. 'Peri' significa próximo e 'Geo', Terra, originando o termo Perigeu. Nessa ocasião, a Lua Cheia pode parecer até 6% maior e 13% mais brilhante do que a média, mas essa diferença é sutil.

Na prática, a Lua não aumenta de tamanho; apenas se aproxima mais do nosso planeta. É o que explica o astrônomo Rodolfo Langhi, coordenador do Observatório de Astronomia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em entrevista à Agência Brasil. A Lua Cheia de 3 de janeiro acontecerá às 7h03 (horário de Brasília), com um diâmetro aparente de 32,92 minutos de arco — valor considerado grande em comparação aos 29,42 minutos de arco da chamada Microlua, prevista para 31 de maio.

Em 2026, a Superlua de janeiro estará a 362.312 km da Terra, enquanto a menor Lua Cheia do ano, a Microlua de 31 de maio, ficará a 406.135 km de distância. O diâmetro aparente da Lua Cheia de janeiro será, portanto, relativamente maior do que o da Microlua.

“Todo mês, ela passa pelo Perigeu, que é o ponto mais próximo de um corpo celeste em sua órbita ao redor da Terra, e também todo mês passa pelo ponto mais distante, o Apogeu. Quando coincide de ser Lua Cheia próxima ao Perigeu, é chamada de Lua Cheia de Perigeu ou Superlua, porque ela fica um pouquinho maior”, detalha Langhi. Ele ressalta, porém, que a olho nu é difícil perceber qualquer diferença no tamanho da Lua Cheia deste sábado.

Comparação simples

“Imagine que você está segurando uma bola à sua frente com as duas mãos. Ao aproximar ou afastar a bola dos olhos, ela parece ficar maior ou menor. O mesmo acontece com a Lua: quando está mais próxima da Terra, parece um pouco maior, mas essa diferença é muito pequena”, explica o astrônomo da Unesp.

Langhi reforça que, para a maioria das pessoas, não há diferença perceptível no tamanho da Lua Cheia durante o fenômeno.

“É muito difícil notar. Quem não costuma observar a Lua com frequência provavelmente nem perceberá. Mesmo para quem observa sempre, como os astrônomos, não é algo evidente”, completa.

Por isso, Langhi considera um exagero chamar a Lua Cheia de 3 de janeiro de Superlua, já que a expectativa de vê-la muito maior não corresponde à realidade.

Relevância científica

Para João Batista Canalle, físico, doutor em Astronomia, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e coordenador da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), a Lua Cheia deste sábado “não tem nada de diferente”.

“É a mesma Lua Cheia de sempre. Apenas teremos duas luas cheias no mesmo mês, o que é uma coincidência sem relevância física”, afirma.

Segundo Canalle, a chamada Superlua não muda o tamanho do astro, apenas indica que está mais próxima da Terra. Ele lembra ainda que, no domingo (4), a Terra estará mais próxima do Sol, mas isso não fará o Sol parecer maior aos nossos olhos.

“Você vai ver o Sol maior por causa disso? Não vai. Nosso verão no hemisfério Sul ocorre com a Terra mais próxima do Sol, mas essa diferença de alguns milhões de quilômetros não é perceptível visualmente”, compara.

Com a Lua, ocorre algo semelhante: mesmo no Perigeu, ninguém notará diferença significativa a olho nu. O mesmo vale para o Apogeu, quando ocorre a chamada Microlua. “O nome Microlua é enganador, pois ela continuará sendo uma Lua Cheia, apenas estará um pouco mais distante. Essa diferença é pequena diante dos quase 400 mil quilômetros, que é a distância média da Lua para a Terra. Astronomicamente, não tem relevância”, conclui Canalle.