Agro

Alagoas reúne lideranças femininas para fortalecer o agronegócio

Helena Albuquerque, de 34 anos, Zootecnista pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e compareceu ao evento como uma das representantes da Amitis

Por Bruna Beatriz 29/10/2026 10h10 - Atualizado em 29/10/2026 11h11
Alagoas reúne lideranças femininas para fortalecer o agronegócio
4º Encontro Estadual das Mulheres do Agro - Foto: Bruna Beatriz

Mais de 1.300 mulheres de diversas cidades de Alagoas participaram, nesta quarta-feira (28), do 4º Encontro Estadual das Mulheres do Agro. O evento reuniu produtoras rurais, empreendedoras e lideranças do meio para compartilhar experiências, conhecer inovações e falar sobre as oportunidades de negócios que contribuem para o fortalecimento do agro no estado.

Criado pelo Sistema Faeal/Senar e promovido pela Comissão das Mulheres do Agro, o encontro contou com o apoio do Sebrae e integrou a programação da 76ª Expoagro, realizada no Parque da Pecuária, no Prado. Pela primeira vez, a sede da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Alagoas (Faeal) recebeu o evento.

Em um café da manhã com a imprensa, realizado no dia 7 de outubro, a diretora de Administração e Finanças do Sebrae Alagoas, Juliana Almeida, ressaltou a importância de dar visibilidade às mulheres para ampliar conquistas e fortalecer a participação feminina nos espaços de decisão.

“Quando damos visibilidade às mulheres do agro, reconhecemos não apenas o papel delas para o desenvolvimento do setor, mas também sua capacidade de liderar, empreender e transformar realidades. O Encontro é uma oportunidade de conectar essas mulheres, compartilhar conhecimento e fortalecer o protagonismo feminino, mostrando que elas têm muito a contribuir e precisam ocupar cada vez mais espaços de decisão”, afirmou.

Entre as participantes estava Helena Albuquerque, de 34 anos, Zootecnista pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Ela compareceu ao evento como uma das representantes da Amitis, que usa tecnologia para promover a sustentabilidade e a responsabilidade social. A zootecnista explica que já participou do evento, mas esta é a primeira vez que representa a empresa, que tem como objetivo combater a fome e a insegurança alimentar. A proposta do negócio é implantar hortas hidropônicas em comunidades e comercializar esses projetos para outras empresas que buscam desenvolver ações de cunho social e ambiental. Elena explica a importância da representação feminina em eventos como esse.

Elena Albuquerque, Zootecnista.




“Representando a Amitis, é a primeira vez. Isso é muito relevante para a gente, estar aqui, fortalecendo e engajando a nossa representatividade feminina, liderando essa parte, principalmente no agro, no cultivo e na produção, que são áreas muito masculinas”, explicou.

A zootecnista fala que sentiu uma expansão no setor do agro para as mulheres nos últimos anos e cita políticas de incentivo.

“Sim, houve um destaque muito forte, principalmente por meio de políticas de incentivo, por meio de associações e cooperativas, onde a mulher pode se reunir, ganhar espaço e força para trabalhar e mostrar seu trabalho, que muitas vezes era deixado de lado, uma vez que não era a principal atividade geradora de renda. Diante disso, muitas vezes, era visto como algo secundário e não era tão valorizado”, disse.

Criada em Santana do Mundaú, Helena também explica como escolheu o curso universitário e os obstáculos que enfrentou em um meio dominado por homens.

“Sempre percebi uma presença masculina muito forte, enquanto a atuação das mulheres ficava restrita, muitas vezes, às atividades domésticas, como cuidar da cozinha e do lar. No campo, quando a mulher decide assumir outras funções, geralmente é vista com preconceito e considerada incapaz. Eu venho de uma família com uma presença feminina muito forte. Somos só mulheres na minha casa e, desde cedo, vi minha avó realizar atividades que eram consideradas exclusivamente masculinas, como tirar leite e executar outras tarefas do campo. Então, cresci tendo essa referência feminina forte”, destacou.

Elena também conta que escolheu ingressar em Ciências Agrárias sabendo que esse era um campo de atuação predominantemente masculino. Ao longo da formação, pôde vivenciar a quebra desse padrão e enfrentar os obstáculos da área.

“É justamente essa quebra de padrões, com as mulheres conquistando espaço, ganhando destaque e fazendo a diferença por meio de trabalhos brilhantes em diversas áreas. Seja no cultivo, na criação ou em outras atividades, há mulheres que se destacam e demonstram sua capacidade. Tenho várias colegas que atuam em diferentes áreas e são referências em seus respectivos trabalhos”, ressaltou.

O acesso das mulheres a esse espaço do agronegócio vem crescendo no estado. Dados apresentados pela Comissão das Mulheres do Agro de Alagoas divulgam que, de 98 mil estabelecimentos rurais, entre formais e informais, 24 mil, o equivalente a 24,6%, têm participação feminina na gestão. Entre as unidades familiares inscritas no Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), as mulheres representam a maioria. Em agosto de 2026, Alagoas também contabilizava 174 mil pessoas registradas nessas unidades, das quais 90,2 mil eram mulheres, o equivalente a 51,9% do total, enquanto os homens correspondiam a 48,1%.