Agro
Projeto da Embrapa deve beneficiar 2 mil famílias no Semiárido
A execução das atividades conta com investimento superior a R$ 3 milhões até 2027 para fortalecer a conservação e o uso das sementes crioulas
Uma iniciativa voltada para a conservação de sementes no Semiárido nordestino deve beneficiar cerca de 2 mil famílias, incluindo agricultores familiares, assentados, povos indígenas e comunidades quilombolas. As ações fazem parte do Programa InovaSocial, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que reúne quatro ensaios participativos instalados em 2026 no âmbito do Projeto Agrobiodiversidade do Semiárido (AgrobioSA), no qual são avaliadas variedades crioulas de milho em Alagoas, Bahia, Paraíba e Piauí.
A execução das atividades conta com investimento superior a R$ 3 milhões até 2027 para fortalecer a conservação e o uso das sementes crioulas em sete territórios dos estados de abrangência. Até o momento, cerca de 100 materiais já foram testados quanto à presença de transgênicos, enquanto na fase anterior do projeto, 34% das amostras analisadas apresentaram proteínas geneticamente modificadas.
Segundo a Embrapa, um dos objetivos das frentes do projeto é fortalecer casas e bancos comunitários de sementes (CBCSs), espaços organizados pelas próprias comunidades para armazenar, trocar e multiplicar variedades locais. Ao todo, as ações diretas de monitoramento e fortalecimento previstas pelo AgrobioSA envolverão 122 CBCSs.
No estado de Alagoas, a Rede Sementes da Resistência reúne mais de 60 bancos comunitários. Experiências de Estrela de Alagoas, Igaci, Craíbas, Palmeira dos Índios, Delmiro Gouveia, Inhapi e Poço das Trincheiras, entre outros municípios, participam das articulações.
Para Maria Francisca, do Sítio Poço Doce em Piranhas (AL), fortalecer esses espaços significa ampliar a capacidade de conservação já existente nas comunidades. “No nosso banco de sementes, nós temos mais de 100 variedades, sementes da Caatinga, sementes de milho e feijão”, destaca.
Coordenado pela Embrapa Alimentos e Territórios (AL), em parceria com a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) e com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o AgrobioSA reúne pesquisas científicas, inovação social e conhecimento tradicional.
