Agro
Sebrae orienta produtores rurais sobre impactos do El Niño
Previsão de seca até 2027 reforça necessidade de manejo do solo e o uso responsável de água
Os efeitos do El Niño exigem planejamento dos produtores rurais de Alagoas diante da previsão de mudanças no regime de chuvas e aumento das temperaturas nos próximos meses. Com cerca de 25% dos municípios em situação de emergência reconhecida pela Defesa Civil, o estado precisa se preparar para enfrentar a estiagem prevista até o início de 2027.
Culturas de ciclo longo, como a mandioca, estão entre as mais vulneráveis, mas a irregularidade das chuvas também pode prejudicar plantações de feijão, hortaliças e a criação de animais.
O tema foi debatido durante a Semana do Produtor Rural, em Teotônio Vilela. Na ocasião, o professor Ricardo Amorim, do Instituto de Ciências Atmosféricas da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), alertou para a possibilidade de um evento climático severo.
“O El Niño é uma anomalia que altera a temperatura das águas do Oceano Pacífico, causando uma série de transtornos em todo o globo terrestre e, em especial, no Nordeste do Brasil, que já convive com uma escassez de água considerável. A estimativa é de que este ano haja 91% de chance de o El Niño ser um evento muito severo na região, de acordo com os monitoramentos científicos, quadro que exige uma atenção redobrada”, alertou.
Entre as medidas recomendadas estão a conservação da matéria orgânica no solo, técnicas para manter a umidade e a escolha de culturas mais resistentes ao calor e à falta de chuva. O acompanhamento técnico também é considerado importante, principalmente para agricultores familiares com menos recursos para investir em novas tecnologias.
“Enfrentar um período de estiagem exige um manejo cuidadoso do solo, para reter o máximo de umidade e manter a fertilidade. Como os agricultores familiares não dispõem de condições para realizar grandes investimentos ou acessar novas tecnologias por conta própria, o acompanhamento técnico de instituições, como o Sebrae, é indispensável para direcionar as decisões antes e durante a ocorrência do fenômeno”, ressalta o professor Ricardo.
O Sebrae informou que iniciou ações de orientação preventiva para produtores de mandioca durante o evento em Teotônio Vilela. Segundo o analista Francisco Guilherme, o trabalho também contempla outras culturas e atividades pecuárias, afetadas pela redução da disponibilidade de água.
“Por essa razão, utilizamos a capilaridade do Sebrae para levar orientações, consultorias e conhecimento contínuo aos produtores rurais, desde a conservação do solo à gestão hídrica, para que cada pequena propriedade continue a funcionar de forma eficiente e sustentável mesmo nos períodos mais adversos”, complementa o analista.
*Informações de A.M.A
