Agro

Fungos da Caatinga podem combater doenças agrícolas e reduzir uso de fungicidas

Estudo foi realizado pela Embrapa

Por Redação 08/09/2026 09h09 - Atualizado em 08/09/2026 10h10
Fungos da Caatinga podem combater doenças agrícolas e reduzir uso de fungicidas
. - Foto: Saulo Coelho

Fungos nativos da Caatinga podem ajudar no desenvolvimento de bioinsumos agrícolas adaptados ao calor e à seca. O estudo da Embrapa identificou espécies do gênero Trichoderma em solos da Bahia e do Piauí com capacidade de combater patógenos e tolerar temperaturas de até 40 °C.

A pesquisa encontrou 14 isolados de cinco espécies de Trichoderma, coletados em áreas de vegetação nativa e em lavouras irrigadas de melão. Os microrganismos foram testados contra cinco patógenos responsáveis por doenças agrícolas.

Os fungos apresentaram diferentes formas de ação, como competição, parasitismo e produção de compostos capazes de inibir outros organismos. Em alguns testes, essas substâncias reduziram em mais de 70% o crescimento dos patógenos.

“Compreender as interações ecológicas de microrganismos benéficos com patógenos é fundamental para se criar estratégias agrícolas menos dependentes de fungicidas químicos e mais resilientes às mudanças climáticas”, avaliou Gabriel Mascarin, um dos pesquisadores responsáveis pelo projeto.

Os isolados coletados em áreas cultivadas com melão apresentaram maior tolerância ao calor, principalmente a partir de 35 °C. Entre as espécies avaliadas, Trichoderma koningiopsis teve desempenho mais consistente contra os patógenos, enquanto T. asperelloides e T. asperellum se destacaram na produção de esporos.

Segundo os pesquisadores, os resultados reforçam o potencial da biodiversidade da Caatinga para a agricultura do semiárido. Novos testes em campo deverão avaliar a capacidade dos fungos de proteger plantas, melhorar a produtividade e formar futuros biofungicidas menos dependentes de produtos químicos.