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Agricultura familiar pode ser estratégica para desenvolvimento econômico em AL

Setor concentra parcela significativa da mão de obra no campo, mas enfrenta dificuldades para ocupar um papel proporcional à sua dimensão na economia estadual

Por Redação* 24/08/2026 09h09 - Atualizado em 24/08/2026 09h09
Agricultura familiar pode ser estratégica para desenvolvimento econômico em AL
. - Foto: Ascom Seagri

A agricultura familiar representa a maior parte dos estabelecimentos rurais de Alagoas e concentra uma parcela significativa da mão de obra do campo, mas ainda está distante de ocupar um papel proporcional à sua dimensão na economia estadual. Os dados do Censo Agropecuário de 2017, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o segmento reúne 82.369 dos 98.542 estabelecimentos agropecuários existentes no estado, o equivalente a 83,6% do total.

A participação também é expressiva na geração de trabalho. Segundo o levantamento, 227.115 pessoas estavam ocupadas em atividades nos estabelecimentos de agricultura familiar, representando 69,5% da mão de obra agropecuária de Alagoas.

Apesar da presença predominante no campo, os agricultores familiares ainda enfrentam obstáculos que dificultam a transformação da produção em renda e desenvolvimento econômico. Entre os principais problemas estão o acesso limitado à terra, ao crédito, à assistência técnica e aos mercados.

As dificuldades também atingem etapas importantes da cadeia produtiva, como a comercialização, a inovação e a agregação de valor. Sem estrutura adequada para processar e comercializar a produção, muitos agricultores permanecem restritos a atividades de menor retorno financeiro. A ausência ou a baixa capacidade de agroindústrias também reduz as possibilidades de ampliar a produção e gerar novas oportunidades econômicas nos territórios rurais.

A estrutura agrária alagoana é outro fator que ajuda a explicar os desafios enfrentados pela agricultura familiar. A concentração histórica de terras faz com que muitos produtores desenvolvam suas atividades em áreas reduzidas, enquanto propriedades médias e grandes concentram parcelas significativas do território rural.

Além de disporem de mais terra, esses estabelecimentos geralmente possuem melhores condições de acesso a crédito, tecnologia, infraestrutura e instrumentos de apoio à produção. A maior capacidade de articulação política e institucional também amplia as diferenças entre os grupos que atuam no campo.

Nesse cenário, ampliar a participação da agricultura familiar na economia alagoana depende de uma estratégia que vá além do incentivo à produção. A articulação entre produção, comercialização e geração de renda é apontada como fundamental para que os agricultores consigam alcançar mercados mais valorizados e aumentar o retorno de suas atividades.

Com políticas estruturadas, a agricultura familiar pode contribuir para movimentar as economias locais, gerar empregos e fortalecer os territórios rurais. A agregação de valor aos produtos também pode abrir espaço para novas atividades, como agroindústrias e outras iniciativas ligadas ao processamento e à comercialização de alimentos.

O fortalecimento do segmento ainda pode ampliar a oferta de alimentos produzidos localmente, atendendo a uma demanda crescente por produtos saudáveis e contribuindo para a segurança alimentar.

O desafio, portanto, é transformar a relevância que a agricultura familiar já possui em número de produtores e trabalhadores em maior participação econômica. Sem investimentos e políticas capazes de enfrentar os entraves históricos, milhares de famílias continuarão inseridas em atividades de baixa renda, mesmo diante do potencial produtivo que possuem.

A questão que se coloca para Alagoas é como transformar essa força já presente no campo em um dos pilares de um projeto de desenvolvimento econômico, social e sustentável para o estado.

*Informações retiradas de 082 Notícias