Agro

Alta dos fertilizantes ameaça produção agrícola do Brasil em 2027

Queda nas importações e aumento dos preços podem levar produtores a reduzir o uso de nutrientes

Por Redação com CNN Brasil 19/08/2026 09h09 - Atualizado em 19/08/2026 10h10
Alta dos fertilizantes ameaça produção agrícola do Brasil em 2027
Alta do preço dos nutrientes começará a preocupar o produtor já no próximo ano - Foto: Reprodução

O aumento dos preços dos fertilizantes e a redução das importações brasileiras começam a preocupar o setor agrícola para a safra de 2027. Segundo relatório do J.P. Morgan, uma oferta menor e preços elevados podem fazer produtores reduzirem a aplicação de nutrientes ou adiarem compras, comprometendo a produtividade das lavouras.

Entre janeiro e julho, o Brasil importou 22,4 milhões de toneladas de fertilizantes, 7,4% menos que no mesmo período de 2025. Mesmo com a queda no volume, os gastos aumentaram 7,3%, chegando a US$ 8,8 bilhões. A produção nacional também recuou 17% nos primeiros cinco meses do ano.

O impacto sobre a produção não é imediato. Como os fertilizantes comprados agora serão utilizados nos próximos meses, uma interrupção prolongada no fornecimento pode afetar principalmente a próxima safra.

A situação preocupa especialmente nas culturas de soja e milho. A soja depende principalmente de fósforo e potássio, enquanto o milho é mais sensível aos preços dos fertilizantes nitrogenados, como a ureia.

Durante a escalada das tensões no Oriente Médio, a ureia chegou a US$ 600 por tonelada no Brasil, segundo dados da CNA. A região é responsável por uma parcela significativa das exportações mundiais do produto, tornando conflitos e problemas logísticos fatores capazes de provocar altas rápidas nos preços.

O Brasil também depende fortemente do mercado externo. Em 2025, foram importadas cerca de 45 milhões de toneladas de fertilizantes. Entre janeiro e julho deste ano, as compras vindas da Rússia caíram 28%, enquanto as da China recuaram 20%. O aumento dos embarques de Canadá e Marrocos não compensou totalmente a redução.

A alta dos fertilizantes já pesa sobre a relação de troca do produtor. Em março, eram necessárias entre 35 e 40 sacas de soja para comprar uma tonelada de ureia, contra 28 a 32 sacas em 2025. No milho, a relação passou para 60 a 70 sacas.

Com custos maiores, o agricultor pode optar por reduzir a quantidade de fertilizante utilizada. A medida não significa necessariamente uma queda imediata da produção, mas pode diminuir a produtividade por hectare e elevar os custos da próxima safra.

O J.P. Morgan avalia que os efeitos podem chegar posteriormente aos preços dos alimentos. Uma menor aplicação de nutrientes pode reduzir a produtividade, afetar a oferta de commodities e, consequentemente, pressionar a inflação.

O Brasil é o quarto maior consumidor de fertilizantes do mundo, mas mais de 80% do produto utilizado no país ainda é importado. Para diminuir essa dependência, o governo aposta no Plano Nacional de Fertilizantes e na retomada da produção nacional.

A Petrobras também voltou a produzir fertilizantes nitrogenados nas fábricas da Bahia e de Sergipe, que estavam paralisadas. Juntas, as unidades podem produzir cerca de 3,1 mil toneladas de ureia por dia e ajudar a reduzir a dependência brasileira das importações.

*Informações de CNN Brasil