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Mudanças climáticas reduziram em R$ 200 bilhões renda do agro

Estudo do BID aponta que eventos climáticos frearam a produtividade agrícola e ampliaram perdas econômicas no Brasil

Por Redação 17/07/2026 08h08
Mudanças climáticas reduziram em R$ 200 bilhões renda do agro
Mudanças climáticas impactaram o crescimento do agro entre 1985 e 2017 - Foto: Reprodução

O avanço das mudanças climáticas já provocou impactos significativos na economia do agronegócio brasileiro. Um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) aponta que, sem os efeitos do clima sobre a produção agrícola, a renda gerada pelo setor poderia ser cerca de R$ 200 bilhões maior atualmente.

A pesquisa, elaborada por Steven Helfand e coautores, analisou dados municipais dos Censos Agropecuários entre 1985 e 2017. Nesse período, a Produtividade Total dos Fatores (PTF) da agropecuária cresceu, em média, 1,6% ao ano, respondendo por aproximadamente 60% da expansão da produção do setor.

Segundo o levantamento, investimentos em pesquisa, desenvolvimento e educação foram determinantes para elevar a produtividade da agricultura brasileira. Entre os principais exemplos está a atuação da Embrapa, que possibilitou a adaptação de cultivares ao Cerrado e impulsionou a produção em uma das regiões que mais cresceram no período analisado.

Apesar desse avanço, as variáveis climáticas atuaram de forma constante como um fator de redução da produtividade. Com base nos dados do estudo, o economista Bráulio Borges estimou que, caso esses impactos não existissem, o Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária seria hoje cerca de R$ 200 bilhões superior, valor equivalente a aproximadamente 1,5% do PIB nacional.

A estimativa é considerada conservadora porque utiliza como referência o impacto médio registrado entre 1985 e 2017. Desde 2018, o país passou a enfrentar uma intensificação dos eventos extremos, com secas prolongadas, perdas recorrentes de safra e enchentes históricas, como as registradas no Rio Grande do Sul em 2024.

O estudo também destaca que os efeitos econômicos ultrapassam a atividade no campo. De acordo com pesquisa da Universidade de Brasília (UnB), cada real produzido pela agropecuária gera um efeito multiplicador sobre outros setores da economia, como agroindústria, transporte e serviços. Dessa forma, as perdas decorrentes das mudanças climáticas podem se aproximar de R$ 500 bilhões em produção econômica.

Para os pesquisadores, os resultados reforçam a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas à adaptação e à mitigação das mudanças climáticas. A avaliação ganha ainda mais relevância diante da previsão de um novo episódio de El Niño de forte intensidade, fenômeno que pode ampliar os impactos sobre a produção agrícola nos próximos meses.

A pesquisa conclui que preservar a produtividade do agronegócio depende, cada vez mais, de investimentos em inovação, pesquisa e estratégias capazes de reduzir os efeitos das mudanças climáticas sobre a produção rural.