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Murici abriga pesquisa que desenvolve as principais canas do Brasil

Estação Serra do Ouro recebe pesquisadores da Ridesa e lidera o melhoramento genético das variedades RB usadas pelo setor sucroenergético

Por Redação com Alagoas Rural 08/07/2026 17h05
Murici abriga pesquisa que desenvolve as principais canas do Brasil
Novas variedades de cana-de-açúcar produzidas em Alagoas têm fortalecido o setor sucroenergético - Foto: Reprodução/Alagoas Rural

As novas variedades de cana-de-açúcar produzidas em Alagoas têm fortalecido o setor sucroenergético e contribuído para a valorização das pesquisas voltadas ao cultivo da cana, especialmente em Murici, município da Zona da Mata alagoana.

A reportagem do programa Alagoas Rural esteve na Estação de Cruzamento Serra do Ouro, em Murici, para mostrar como os pesquisadores desenvolvem as novas variedades da série RB e acompanhar a visita de integrantes da Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (Ridesa), da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Para os pesquisadores, Murici é considerado o melhor lugar do mundo para o florescimento e o desenvolvimento de novas variedades de cana-de-açúcar. Na Estação de Cruzamento Serra do Ouro, as condições climáticas favorecem esse processo, considerado essencial para a produção de novos materiais genéticos. É nesse local que são realizados cruzamentos inéditos que dão origem às variedades da série RB, atualmente as mais plantadas no Brasil.

A equipe da UFPR esteve em Alagoas com o objetivo de promover um intercâmbio entre as unidades da Ridesa e identificar variedades com características superiores às que já estão em cultivo.

"Temos a RB579 e a RB866515, que também foi uma das variedades mais plantadas na região Centro-Sul. Atualmente, ela vem sendo substituída por outras cultivares. Outra variedade é a RB9628, que apresenta maior teor de açúcar e ciclo precoce. Ela foi uma das mais cultivadas no Paraná e também ganhou grande espaço em outras regiões do Brasil. No desenvolvimento de novas variedades, buscamos reunir características específicas de cada região. No Paraná, por exemplo, priorizamos cultivares com maior teor de açúcar, tolerância a determinadas doenças e boa adaptação às condições locais. Além disso, a mecanização tem um papel cada vez mais importante. Por isso, procuramos desenvolver plantas com porte mais ereto e menor tendência ao tombamento, o que facilita a colheita mecanizada", explicou o coordenador da Ridesa/UFPR, Guilherme Souza.

"Cada estado apresenta características e necessidades diferentes. Por isso, o trabalho de melhoramento genético busca constantemente o desenvolvimento de novas variedades adaptadas às diferentes realidades de produção", completou.

O pesquisador também destacou outra variedade desenvolvida em Alagoas que vem se sobressaindo no Paraná.

"Temos esses últimos lançamentos, como a RB07818, que já está sendo plantada em usinas. Esse intercâmbio da Ridesa é muito importante justamente por isso: levar materiais daqui para outras regiões e trazer materiais de lá para cá. Solicitamos mais de 500 cruzamentos por ano, e a equipe de Alagoas consegue atender essa demanda. O trabalho realizado aqui é excelente", afirmou.

O pesquisador da Ridesa/UFAL, João Messias, ressaltou que a Estação de Cruzamento Serra do Ouro possui mais de 55 anos de atuação e desempenha papel fundamental no desenvolvimento de novas variedades de cana-de-açúcar.

"O setor sucroenergético colhe hoje os resultados desse trabalho realizado na estação. É aqui que iniciamos os cruzamentos, e o intercâmbio entre as unidades da Ridesa dá continuidade às pesquisas, com o desenvolvimento, avaliação, seleção e validação das novas variedades RB. Somente no ano passado, liberamos 18 novas variedades e, neste ano, estamos entregando mais materiais ao setor", destacou.

Confira a reportagem completa: