Agro

Café dispara com menor oferta do Brasil; açúcar também avança

Chuvas atrasam a colheita de café no Brasil, reduzem as vendas e impulsionam os preços, enquanto seca e calor elevam as cotações do açúcar no mercado internacional

Por Redação 04/07/2026 13h01
Café dispara com menor oferta do Brasil; açúcar também avança
Açúcar registra alta diante de preocupações com a produção na Europa e na Ásia - Foto: Reprodução

Os preços internacionais do café registraram forte alta na quarta-feira (1º) em meio à redução temporária da oferta brasileira. O movimento é atribuído ao atraso na colheita provocado pelas chuvas, que levou produtores a diminuírem as vendas enquanto avaliam os impactos sobre a safra.

O contrato do café arábica encerrou o dia cotado a US$ 3,090 por libra-peso, após atingir US$ 3,1640, o maior valor desde 3 de fevereiro. Já o café robusta avançou 3,1%, fechando a US$ 3.771 por tonelada, depois de alcançar a maior cotação em quase quatro meses.

Segundo o corretor da StoneX, Tomás Araújo, produtores brasileiros retiraram do mercado as ofertas de cafés de maior qualidade. “Várias fontes do setor confirmaram que as ofertas de café de alta qualidade nos mercados internos (do Brasil) foram retiradas, com os produtores optando por reter a oferta”, disse.

O agrônomo Jonas Ferraresso afirmou que os produtores já vinham negociando pouco antes das chuvas e agora demonstram ainda mais cautela. De acordo com ele, parte significativa dos grãos caiu no solo durante o período chuvoso, exigindo novas estratégias de colheita.

Para propriedades que utilizam colheita mecanizada, a situação representa um desafio adicional, já que será necessário contratar trabalhadores para recolher os grãos manualmente. Segundo Ferraresso, alguns produtores podem até optar por não realizar essa etapa da colheita.

No mercado do açúcar, as cotações também avançaram. O açúcar bruto negociado na ICE subiu 1,1%, para 14,99 centavos de dólar por libra-peso, atingindo o maior nível em seis semanas. Já o açúcar branco valorizou 1,7%, encerrando o dia a US$ 482,90 por tonelada, após alcançar a maior cotação em nove meses.

A alta é reflexo das preocupações com a produção nas principais regiões produtoras da Europa e da Ásia, afetadas por seca, estresse térmico e pelos efeitos do El Niño. Meteorologistas alertam que lavouras de beterraba apresentam sinais de murcha e que o clima seco deve persistir por pelo menos mais uma semana.

Segundo a corretora ADMIS, as condições das lavouras podem continuar se deteriorando, mantendo elevadas as preocupações com perdas na produção de açúcar.

Entre outras commodities agrícolas, o cacau negociado em Londres permaneceu praticamente estável, a 3.817 libras por tonelada, enquanto o contrato em Nova York avançou 0,3%, para US$ 5.092 por tonelada.