Agro
Café abre em alta com mercado atento à colheita e à qualidade da safra brasileira
Avanço dos trabalhos no campo, dúvidas sobre o rendimento dos grãos e oferta limitada sustentam as cotações internacionais
O mercado do café iniciou os negócios desta quinta-feira (11) em alta nas bolsas internacionais, acompanhando o avanço da colheita brasileira e as avaliações sobre a qualidade da safra de 2026. Investidores seguem atentos ao ritmo dos trabalhos no campo, ao potencial produtivo das lavouras e à disponibilidade do produto para comercialização.
Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o contrato julho/26 do café arábica era negociado a 251,40 centavos de dólar por libra-peso, com valorização de 300 pontos. O vencimento setembro/26 avançava 310 pontos, cotado a 247,70 centavos, enquanto o dezembro/26 registrava alta de 335 pontos, chegando a 240,60 centavos de dólar por libra-peso.
Em Londres, o café robusta também operava em alta. O contrato julho/26 era negociado a US$ 3.434 por tonelada, com ganho de 80 pontos. O setembro/26 avançava 76 pontos, para US$ 3.373 por tonelada, e o novembro/26 subia 70 pontos, sendo cotado a US$ 3.301 por tonelada.
No Brasil, a colheita ganha ritmo nas principais regiões produtoras neste início de junho. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o clima mais seco dos últimos dias favoreceu a maturação dos grãos e o andamento das atividades no campo, após um período marcado por chuvas frequentes e desenvolvimento irregular das lavouras.
Apesar do avanço dos trabalhos, ainda há preocupação com a qualidade do café colhido. Pesquisadores do Cepea apontam apreensão entre os produtores quanto ao tamanho dos grãos, principalmente no Sul de Minas Gerais e na Mogiana Paulista. Os primeiros relatos indicam peneira inferior à registrada na safra anterior, embora ainda seja cedo para uma avaliação definitiva, já que apenas uma pequena parcela da produção foi beneficiada.
O mercado também acompanha a comercialização da safra. De acordo com o Cepea, muitos produtores têm aproveitado os atuais patamares de preços para negociar os lotes recém-colhidos e reforçar o fluxo de caixa, movimento que pode ampliar a oferta disponível nas próximas semanas.
Mesmo com a evolução da colheita brasileira, as incertezas sobre o rendimento final da safra e a qualidade dos grãos permanecem no radar dos investidores, contribuindo para sustentar as cotações do café nas bolsas internacionais.


