Agro

Etanol de milho cresce no país e amplia mercado energético

Combustível já representa quase 30% da produção nacional de etanol e setor busca ampliar consumo no Nordeste.

Por Redação* 27/05/2026 08h08 - Atualizado em 27/05/2026 09h09
Etanol de milho cresce no país e amplia mercado energético
Expansão do etanol de milho fortalece setor energético e mira novos mercados no Nordeste - Foto: Wenderson Araujo/CNA

Celebrado em 24 de maio, o Dia do Milho destaca a importância de uma das principais commodities agrícolas do Brasil, que também vem ampliando espaço no setor energético. Nos últimos anos, o avanço do etanol de milho mudou a dinâmica do mercado nacional de biocombustíveis.

Segundo o CEO da SCA Brasil, Martinho Seiiti Ono, o setor vive um período de forte crescimento no país, sustentado por vantagens econômicas e estruturais. “O custo de produção do etanol de milho é entre 20% e 30% menor que o do etanol de cana, o que estimulou o surgimento de muitas novas usinas”, afirma.

Entre os fatores que impulsionam essa expansão estão a grande disponibilidade de milho na região, o mercado consolidado de DDG (Grãos Secos de Destilaria) voltado à alimentação animal, além do acesso à biomassa de baixo custo e dos incentivos tributários oferecidos por estados para atração de investimentos industriais.

Atualmente, o etanol de milho já representa quase 30% de toda a produção nacional de etanol, contribuindo para reduzir a sazonalidade da oferta no mercado brasileiro. “As usinas de etanol de milho operam durante os 12 meses do ano. Isso reduz a sazonalidade de oferta e de preços que existia no passado”, explica Ono.

De acordo com o executivo, a complementaridade entre os modelos produtivos de cana-de-açúcar e milho foi fundamental para garantir o abastecimento nacional nos últimos anos. Até 2025, diversas usinas sucroenergéticas priorizaram a fabricação de açúcar devido aos preços mais atrativos no mercado internacional, cenário que abriu espaço para o crescimento do etanol de milho. “Neste ano, teremos um cenário de maior competitividade entre os produtores de etanol de cana e milho”, avalia.

Em Alagoas, um dos principais produtores de cana-de-açúcar do Nordeste, o avanço do etanol de milho acompanha de perto as transformações do setor sucroenergético nacional. A ampliação da oferta do combustível também pode impactar o mercado nordestino, especialmente diante do desafio de expandir o consumo de etanol hidratado na região.

No cenário internacional, o Brasil já é reconhecido como referência global em biocombustíveis e também começa a consolidar sua posição como potência no etanol de milho. Na análise de Ono, os produtores brasileiros vêm realizando um trabalho importante de divulgação e o mercado externo já reconhece o etanol de milho brasileiro como um combustível sustentável, com baixa pegada de carbono.

Apesar do crescimento acelerado, o setor ainda enfrenta desafios importantes, como ampliar o consumo de etanol hidratado em regiões sem tradição no uso do combustível, como Norte, Nordeste e Sul do país. “O setor ainda precisa ampliar o mercado externo para DDG e investir fortemente na produção de biomassa, especialmente com plantações de eucalipto em larga escala”, conclui o presidente da SCA Brasil.

*Com informações da SCA Brasil