Agro
Paulo Dantas recebe pedido de ajuda de R$ 94 milhões para cana em AL
A principal reivindicação das entidades é a criação de uma subvenção estadual de R$ 12 por tonelada de cana produzida pelos fornecedores independentes
Depois de uma safra marcada por forte queda no ATR, redução no preço da cana e perdas superiores a R$ 600 milhões entre fornecedores e cooperados, o setor canavieiro de Alagoas amplia a pressão sobre o governador Paulo Dantas por medidas emergenciais de apoio aos produtores.
A principal reivindicação das entidades é a criação de uma subvenção estadual de R$ 12 por tonelada de cana produzida pelos fornecedores independentes. A medida poderia injetar cerca de R$ 94 milhões diretamente na economia do setor em Alagoas.
O valor considera uma base próxima de 8 milhões de toneladas produzidas por fornecedores e cooperados na safra 2025/2026.
Além da ajuda estadual, as entidades também articulam em Brasília uma subvenção federal no mesmo valor. Se os dois pleitos forem atendidos, o socorro total ao setor poderá chegar perto de R$ 188 milhões.
Pleito
O presidente do Sistema Faeal/Senar, Álvaro Almeida, vai alinhar com os fornecedores de cana as propostas que serão entregues ao governador de Alagoas, Paulo Dantas.
No documento, os fornecedores de cana relatam as sucessivas crises que vêm afetando o segmento e solicitam a adoção de medidas emergenciais, como a concessão de uma subvenção por tonelada de cana e a destinação de fertilizantes para atender os fornecedores independentes.
Durante a reunião, Álvaro Almeida entrou em contato com os senadores Renan Filho e Renan Calheiros, com quem o grupo vai se reunir para intermediar um encontro com o governador, que deve acontecer na próxima semana.
“Temos certeza de que os pleitos serão atendidos, já que Paulo Dantas, Renan Calheiros e Renan Filho nunca deixaram de atender o setor produtivo rural de Alagoas”, afirmou o presidente da Faeal.
Perdas
A perda que os fornecedores tiveram, apenas com a queda no preço da cana, é calculada em cerca de R$ 70 por tonelada. Além disso, muitos produtores tiveram redução na produção agrícola, ampliando os prejuízos enfrentados no ciclo.
Na segunda-feira (11/05), dirigentes de 16 entidades da cadeia produtiva participaram de reunião convocada pelo presidente da Faeal/Senar, Álvaro Almeida, para alinhar um documento que será entregue ao governador nos próximos dias.
Entre os pedidos apresentados estão recursos para aquisição de fertilizantes, apoio aos tratos culturais do canavial e medidas emergenciais para os pequenos fornecedores.
Segundo o presidente da Asplana, Edgar Filho, a situação financeira no campo se agravou rapidamente após a queda no preço do açúcar e do ATR.
“Muitos produtores estão sem capacidade de investimento. Tem fornecedor priorizando despesas básicas da família e deixando de cuidar do canavial. Sem ajuda emergencial, o risco é comprometer também a próxima safra”, afirmou.
Os produtores alegam que o preço médio da tonelada de cana caiu de uma faixa próxima de R$ 190 a R$ 200 para níveis entre R$ 120 e R$ 130 na safra encerrada agora em abril.
Além da queda na remuneração, o setor relata atraso de pagamentos por parte de algumas usinas, pressionando ainda mais o caixa dos fornecedores.
Na reunião da Faeal, lideranças do setor afirmaram ter recebido apoio político dos senadores Renan Calheiros e Renan Filho, além do deputado federal Isnaldo Bulhões, nas articulações por ajuda federal.
O governador Paulo Dantas já acenou com ajuda aos produtores. Ele determinou que a secretária da Fazenda, Renata dos Santos estude medidas que poderão ser adotadas no curto prazo. Ela se reuniu com Edgar Filho e deve apresentar um estudo até a próxima semana.
O presidente da Asprovac, Clóvis Lemos de Farias, afirmou que a discussão da subvenção avançou em Brasília e acredita que o governo federal poderá anunciar medidas para os produtores do Nordeste.
Em Alagoas, a expectativa agora é pela reunião com Paulo Dantas. O setor espera que o governo estadual siga exemplo de Pernambuco, que já avançou na construção de um pacote emergencial de apoio aos fornecedores de cana.
Depois de uma safra em que a moagem total cresceu, mas a renda dos produtores despencou, os fornecedores avaliam que a ajuda emergencial será decisiva para manter a produtividade e evitar uma crise ainda maior no próximo ciclo.


