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Empresa investigada por mortes de cavalos segue interditada em Alagoas

Investigação do Ministério da Agricultura apontou falhas graves na produção de ração animal e risco de contaminação cruzada em fábrica investigada.

Por Redação 13/05/2026 17h05
Empresa investigada por mortes de cavalos segue interditada em Alagoas
As mortes registradas em Alagoas fazem parte de uma investigação nacional que já contabiliza mais de 200 casos em diferentes regiões do país. - Foto: Reprodução

A Justiça Federal manteve a suspensão total das atividades de uma empresa de nutrição animal investigada por suposta contaminação em rações que teriam causado a morte de mais de 200 cavalos em diferentes estados do país. Em Alagoas, ao menos 96 mortes foram registradas, incluindo casos no Haras Nova Alcateia, em Atalaia.

A decisão foi obtida pela Advocacia-Geral da União (AGU), após o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) apontar riscos sanitários e falhas consideradas graves no processo de fabricação da empresa investigada.


Segundo as investigações, análises preliminares identificaram a presença de alcaloides pirrolizidínicos (substâncias tóxicas incompatíveis com a segurança alimentar animal) em amostras da ração consumida pelos cavalos.


O caso teve forte impacto em Haras Nova Alcateia, onde cerca de 69 mortes foram contabilizadas até julho de 2025, conforme informações divulgadas pelo próprio criatório. Entre os animais mortos está o garanhão Quantum de Alcatéia, avaliado em aproximadamente R$ 12 milhões e considerado referência nacional na equinocultura.


As mortes registradas em Alagoas fazem parte de uma investigação nacional que já reúne mais de 200 casos em estados como Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro.


De acordo com a decisão judicial, a empresa tentou autorização para retomar parcialmente a fabricação e comercialização de produtos destinados a outros animais, alegando que a suspensão deveria atingir apenas a linha voltada para equinos. Apesar de ter conseguido uma liminar inicial favorável, a Justiça entendeu que as medidas adotadas ainda não eliminavam os riscos identificados durante as fiscalizações.


Entre os problemas apontados pelo MAPA estão falhas nos controles de qualidade, deficiência no sistema de rastreabilidade, irregularidades sanitárias e risco de contaminação cruzada, já que diferentes produtos eram fabricados na mesma linha de produção.


Na decisão, a Vara Federal Cível e Criminal da Subseção Judiciária de Itumbiara destacou que a paralisação das atividades é necessária para garantir a proteção da saúde animal e do interesse público até que todas as inconformidades sejam corrigidas.


Em nota divulgada anteriormente, o Haras Nova Alcateia afirmou que a intoxicação causada pela substância foi “violenta e devastadora”, mesmo após medidas veterinárias emergenciais adotadas para tentar salvar os animais.


A suspensão cautelar das atividades da empresa está em vigor desde junho de 2025. A fabricante citada ainda não se pronúnciou sobre o caso.