Agro
Mesmo em guerra, Irã amplia compras do agronegócio brasileiro
Importações iranianas de soja, farelo e milho crescem em meio ao conflito no Oriente Médio
Mesmo em meio à guerra no Oriente Médio, o Irã ampliou as importações de produtos do agronegócio brasileiro em março e abril deste ano. As compras iranianas cresceram 49% no período, impulsionadas principalmente pela aquisição de soja, farelo de soja e milho.
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), os iranianos compraram 610 mil toneladas de soja e 511 mil toneladas de farelo de soja nos dois meses. As importações de milho somaram 136 mil toneladas.
De janeiro a abril, o Irã movimentou US$ 912 milhões em produtos agrícolas brasileiros, valor 15% superior ao registrado no mesmo período de 2025. O país ocupa atualmente a segunda posição entre os maiores compradores de milho do Brasil, a terceira em farelo de soja e a décima em soja.
O desempenho iraniano ocorre em um cenário positivo para a balança comercial do agronegócio brasileiro. As exportações do setor alcançaram US$ 54,2 bilhões no primeiro quadrimestre de 2026, alta de 2% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Mesmo com a queda nos preços internacionais das commodities, o Brasil compensou o recuo com maior volume exportado, especialmente no complexo soja e nas carnes bovina, suína e de frango.
As vendas externas de soja, farelo e óleo renderam US$ 20,1 bilhões entre janeiro e abril. Apenas em abril, o setor acumulou US$ 8,1 bilhões em receitas, favorecido pela safra recorde.
Outro destaque foi o setor de carnes, que registrou recorde de US$ 11 bilhões em exportações no quadrimestre, avanço de 20% na comparação anual. A carne bovina liderou as receitas, principalmente devido ao aumento das vendas para a China.
De acordo com a Abiec, o Brasil exportou 1,09 milhão de toneladas de carne bovina nos quatro primeiros meses do ano, crescimento de 15%. As receitas atingiram US$ 6 bilhões, avanço de 33%.
Apesar do resultado positivo, o ritmo das exportações de carne bovina pode desacelerar no segundo semestre. O governo chinês informou que o Brasil já utilizou metade da cota de 1,1 milhão de toneladas com tarifa reduzida para exportação ao país asiático.
Os dados da ABPA também mostram avanço nas exportações de proteínas animais. A carne de frango gerou US$ 3,7 bilhões em receitas no quadrimestre, enquanto a carne suína acumulou US$ 1,24 bilhão.
Na contramão, produtos como café e açúcar apresentaram queda nas receitas neste ano, reflexo da desaceleração dos preços internacionais diante da expectativa de maior oferta global.
A Ásia segue como principal destino dos produtos do agronegócio brasileiro. Embora a China permaneça como maior compradora, as importações dos demais países asiáticos cresceram 22%, acima da alta de 7% registrada pelos chineses.


