Agro

Café abre maio com leve alta, mas safra brasileira limita ganhos

Ajuste técnico em Nova York sustenta preços, enquanto avanço da colheita no Brasil pressiona mercado

Por Redação 04/05/2026 10h10
Café abre maio com leve alta, mas safra brasileira limita ganhos
Café registra leve alta em Nova York, mas segue pressionado pela safra brasileira - Foto: Reprodução/Ministério da Agricultura e Pecuária

O mercado do café iniciou maio com leve valorização na Bolsa de Nova York, refletindo um movimento de correção após as quedas registradas em abril. Apesar da alta pontual, o cenário segue pressionado pela expectativa de aumento da oferta global, especialmente com o avanço da safra brasileira 2026/27.

Por volta das 9h (horário de Brasília), os contratos futuros do café arábica apresentavam ganhos moderados. O julho/26 era negociado a 287,00 cents/lb, com alta de 60 pontos. O setembro/26 subia 90 pontos, cotado a 276,80 cents/lb, enquanto o dezembro/26 avançava 100 pontos, a 268,50 cents/lb. Já o maio/26, em fase final e com menor liquidez, registrava 302,00 cents/lb, com ganho de 110 pontos.

A Bolsa de Londres não operou nesta sessão devido ao feriado bancário “Early May Bank Holiday”, no Reino Unido. Com a paralisação das negociações do café robusta, a liquidez global ficou reduzida, concentrando a formação de preços na Bolsa de Nova York.

O avanço observado no início do dia é interpretado como ajuste técnico, sem alteração estrutural da tendência. O mercado continua influenciado pelas projeções de uma safra brasileira volumosa, o que mantém a pressão sobre as cotações e dificulta movimentos mais consistentes de alta.

No campo, a colheita ainda ocorre em ritmo inicial na maior parte das regiões produtoras. Mesmo assim, a expectativa de maior oferta nas próximas semanas já está incorporada aos preços, gerando volatilidade e oscilações pontuais.

Outro fator relevante é o comportamento do produtor brasileiro, que tende a reter vendas diante dos preços mais baixos. Essa estratégia pode oferecer suporte temporário às cotações no curto prazo, ao limitar a disponibilidade imediata no mercado físico.

Segundo o analista Jeremias Nascimento, o setor vive um momento de equilíbrio entre preços, margens e decisões de comercialização. “Ainda que a safra pressione, o produtor avalia custos e oportunidades antes de vender”, afirma.

O mercado entra em maio com viés pressionado, mas sujeito a oscilações técnicas, à medida que novos dados sobre o ritmo da colheita e o volume efetivo da produção brasileira forem confirmados.