Agro

Preços agrícolas oscilam em abril com queda na laranja e ovos

Levantamento do Cepea mostra recuo em frutas e proteínas, enquanto soja se mantém firme e feijão reage no fim do mês

04/05/2026 08h08
Preços agrícolas oscilam em abril com queda na laranja e ovos
Soja mantém valorização mesmo com safra recorde no Brasil - Foto: Reprodução

Os preços de importantes produtos agrícolas no Brasil apresentaram comportamentos distintos ao longo de abril, com destaque para a queda expressiva da laranja e dos ovos, enquanto a soja manteve valorização e o feijão reagiu no fim do mês. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

No caso da laranja pera, os preços no mercado de mesa permaneceram relativamente estáveis ao longo de abril, mas registraram queda de 56,1% em relação ao mesmo período de 2025. Segundo o Cepea, mesmo com a oferta limitada no fim da safra 2025/26, a demanda enfraquecida e a entrada gradual de frutas precoces influenciaram o mercado. Feriados ao longo do mês também reduziram o ritmo das negociações.

Para as próximas semanas, a tendência é de aumento gradual da oferta, com o avanço da nova safra 2026/27, ainda que os primeiros frutos apresentem baixo volume e coloração verde.

No mercado de ovos, o movimento foi semelhante. Após altas registradas entre fevereiro e março, abril apresentou queda de até 14% nos preços, atingindo o menor patamar para o mês em quatro anos. O recuo está associado ao desequilíbrio entre oferta e demanda, além da redução do consumo durante o feriado prolongado de Tiradentes.

Já o milho apresentou negociações mais lentas, com preços sofrendo apenas leves ajustes. Compradores priorizaram estoques previamente adquiridos, enquanto produtores limitaram a oferta diante de incertezas climáticas. O cenário nacional foi marcado por diferenças regionais, com leve valorização em algumas praças e pressão de baixa em áreas com maior oferta.

A soja seguiu na direção oposta, mantendo preços firmes mesmo diante de uma safra recorde estimada em 180 milhões de toneladas. A sustentação vem da demanda aquecida, tanto no mercado interno quanto externo, além da valorização dos derivados. O cenário internacional, influenciado por tensões no Oriente Médio e alta do petróleo, também contribui ao elevar a demanda por biodiesel, impulsionando o óleo de soja.

No campo, a colheita já alcança mais de 90% da área plantada, com ritmos variados entre as regiões. No Nordeste, a colheita avança de forma desigual, com estados apresentando estágios diferentes, o que reflete as particularidades climáticas e logísticas da região.

O feijão carioca, por sua vez, teve um mês dividido em dois momentos. Na primeira quinzena, os preços caíram devido à dificuldade de repasse ao consumidor. Já na segunda metade de abril, houve reação significativa, impulsionada pela oferta restrita e pela necessidade de reposição de estoques. Mesmo assim, a média mensal ficou abaixo da registrada em março.

No caso do feijão preto, os preços permaneceram pressionados pela maior disponibilidade do produto e pela proximidade da nova colheita.

De forma geral, o comportamento dos preços em abril reflete um cenário de consumo moderado, influência de fatores sazonais e impacto de variáveis externas, como o mercado internacional e condições climáticas. Para consumidores e produtores do Nordeste, os efeitos tendem a ser sentidos principalmente na variação de preços de alimentos básicos e na dinâmica de oferta nas próximas semanas.