Agro
Conflito geopolítico pressiona preços agropecuários
Impactos do embate no Oriente Médio elevam custos no atacado, com alta de bovinos, leite, fertilizantes e diesel
A inflação dos produtos agropecuários registrou alta no atacado em abril, influenciada pelos desdobramentos do conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã. O IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo) avançou para 1,15% no mês, acima dos 0,95% observados em março, segundo dados do IGP-M divulgados pela Fundação Getulio Vargas nesta quarta-feira (29).
No setor agropecuário, bovinos e leite lideraram as pressões inflacionárias. Apesar de a alta dos bovinos ter desacelerado para 3,38% — ante 5,2% em março —, os preços seguem firmes no mercado interno. O movimento é explicado pela menor oferta de animais prontos para abate e pela continuidade da demanda externa, conforme análise do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).
O leite também voltou a subir após um período prolongado de queda. A elevação está associada à redução da oferta. Dados do Cepea indicam aumento de 4,1% em março na comparação com fevereiro, embora o valor ainda esteja 20% abaixo do registrado no mesmo mês de 2025.
A menor captação ao longo do ano contribuiu para uma alta de 8,2% no atacado apenas em abril. Esse movimento se reflete no varejo: o leite longa vida ficou 9,2% mais caro para o consumidor no mês.
Outro fator relevante foi o encarecimento dos fertilizantes. Impactados pela instabilidade geopolítica no Oriente Médio, os preços desses insumos subiram 8,19% no atacado em abril, após avanço de 1,82% em março. A elevação tende a se espalhar por toda a cadeia agropecuária, pressionando custos de produção nos próximos meses.
O IGP-M também apontou aumento de 14,9% nos preços do diesel, o que impacta diretamente a produção e o transporte de alimentos. Além disso, houve aceleração nos preços do tomate, influenciada pelo fim da safra de verão e pela redução da oferta.
Por outro lado, alguns produtos ajudaram a conter a inflação no período. Carne suína, laranja e cana-de-açúcar registraram queda nos preços. A arroba do suíno recuou 14% devido à maior oferta e à demanda interna mais fraca, enquanto a caixa de laranja ficou 9% mais barata. Já a cana apresentou redução após o fim da entressafra e o avanço da nova safra.
No resultado geral, o IGP-M de abril atingiu 2,73%, acelerando em relação aos 0,52% de março. No acumulado do ano, o índice chega a 2,93%, enquanto a variação em 12 meses é de 0,62%. Apesar da alta recente, os produtos agropecuários ainda acumulam queda média de 1,43% no primeiro quadrimestre e de 9,75% em 12 meses.


