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BNDES financia inovação que pode dobrar produtividade da cana até 2040

Os recursos serão liberados por meio da linha BNDES Mais Inovação e poderão ser utilizados em obras, aquisição de máquinas e equipamentos, além da contratação de serviços técnicos

Por Redação* 27/04/2026 10h10
BNDES financia inovação que pode dobrar produtividade da cana até 2040
Cana-de-açúcar - Foto: Reprodução/Alagoas Rural

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de R$ 83,96 milhões para três projetos do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), com destaque para o desenvolvimento de sementes sintéticas de cana-de-açúcar — uma das principais apostas para dobrar a produtividade da cultura no Brasil até 2040.

Os recursos serão liberados por meio da linha BNDES Mais Inovação e poderão ser utilizados em obras, aquisição de máquinas e equipamentos, além da contratação de serviços técnicos. No total, os projetos somam investimentos de R$ 165,54 milhões, incluindo aportes do próprio CTC e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Parte do financiamento será destinada à fábrica demonstrativa de sementes sintéticas recém-inaugurada em Piracicaba (SP). A unidade, instalada na Fazenda Santo Antônio, ocupa uma área de 10 mil metros quadrados e tem capacidade inicial para atender até 500 hectares por ano.

A tecnologia de sementes sintéticas representa uma mudança significativa no modelo tradicional de plantio. Em vez do uso de colmos, o sistema utiliza cápsulas com material biológico pré-germinado, garantindo maior padronização e eficiência. Segundo o CTC, a inovação pode reduzir drasticamente o volume necessário para o plantio: de cerca de 16 toneladas de cana por hectare para aproximadamente 400 quilos de sementes.

Além de ganhos operacionais, a nova técnica promete reduzir a compactação do solo, o consumo de combustíveis e insumos, e ainda eliminar a necessidade de viveiros. Isso pode liberar até 5% da área atualmente destinada à produção de mudas — o equivalente a cerca de 500 mil hectares no país.

As pesquisas com sementes sintéticas tiveram início em 2013 e já receberam investimentos próximos de R$ 1 bilhão. Agora, o CTC também trabalha para aprimorar a taxa de germinação, aumentar a durabilidade das sementes e viabilizar o armazenamento por períodos mais longos, facilitando o acesso de produtores em regiões mais distantes.

Outro eixo dos projetos envolve o uso de tecnologia no campo. O centro desenvolveu um novo sistema de plantio e manejo que inclui um protótipo de inteligência artificial generativa, capaz de ampliar a análise de dados e apoiar a tomada de decisões com base no histórico das lavouras e em variáveis agronômicas.

O pacote financiado também contempla o desenvolvimento de uma nova variedade de cana resistente ao besouro Sphenophorus levis, conhecido como bicudo-da-cana, uma das principais pragas da cultura. O inseto compromete o sistema radicular e reduz a produtividade, podendo causar perdas de até 40% por hectare, segundo a Embrapa.

De acordo com o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, os projetos estão alinhados às metas de desenvolvimento sustentável e descarbonização do país. A expectativa é que as iniciativas contribuam para reduzir custos operacionais, diminuir o uso de insumos químicos e cortar emissões de gases de efeito estufa.

*Com informações da Gazetaweb