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Café cai no exterior e trava vendas no Brasil

Queda recente e avanço da safra pressionam preços, enquanto produtores seguram negociações à espera de reação do mercado

Por Redação 09/04/2026 10h10
Café cai no exterior e trava vendas no Brasil
Produtores seguram vendas diante de preços mais baixos e avanço da safra - Foto: Freepik

O mercado de café inicia esta quinta-feira (9) com comportamento misto nas bolsas internacionais, após uma forte desvalorização recente que travou a comercialização no Brasil. O café arábica apresenta leve recuperação na Intercontinental Exchange, enquanto o robusta segue pressionado em Londres.

No arábica, os principais contratos registram oscilações. O vencimento maio/26 é cotado a 293,85 cents por libra-peso, com alta de 20 pontos. O contrato julho/26 avança 10 pontos, a 289,40 cents/lb. Já o setembro/26 recua 25 pontos, negociado a 275,70 cents/lb, sinalizando fragilidade nos prazos mais longos.

Para o robusta, o cenário permanece negativo. O contrato maio/26 é negociado a US$ 3.325 por tonelada, com leve queda, enquanto o julho/26 recua para US$ 3.252. O vencimento setembro/26 segue estável, cotado a US$ 3.188 por tonelada.

O movimento ocorre após uma sessão anterior de perdas expressivas, que impactaram diretamente o mercado físico brasileiro. Segundo análise da Safras & Mercado, os preços “derreteram”, reduzindo a liquidez e deixando os produtores mais cautelosos, com negociações praticamente paralisadas.

Do lado da oferta, o avanço da colheita no Brasil, especialmente do conilon, amplia a disponibilidade do produto. Soma-se a isso a expectativa de uma safra robusta de arábica, reforçando o viés de baixa. No cenário internacional, a entrada da safra de robusta da Indonésia também contribui para elevar a oferta global.

O ambiente macroeconômico também pesa sobre os preços. A aversão ao risco nos mercados internacionais, influenciada por tensões geopolíticas no Oriente Médio, levou investidores a reduzirem exposição em commodities. O movimento pressionou as cotações e impactou o câmbio, com o dólar em leve alta — fator que tende a favorecer exportações, mas não foi suficiente para sustentar os preços.

No mercado físico brasileiro, os reflexos foram imediatos. As cotações internas do arábica caíram até R$ 90 por saca, levando produtores a segurarem vendas à espera de melhores condições. No caso do conilon, apesar da pressão, a colheita em andamento ainda gera vendas pontuais, diante do receio de novas quedas.

A combinação entre aumento da oferta, entrada da safra e cenário externo mais cauteloso mantém o mercado pressionado neste início de dia. Ainda assim, a leve recuperação do arábica indica tentativa de ajuste técnico após as perdas recentes, enquanto o robusta segue mais vulnerável diante da maior disponibilidade global.