Agro
Safra de cana em AL cresce 0,7%, com mais etanol e menos açúcar
. Até 31 de março, as usinas haviam processado 17,6 milhões de toneladas de cana
A safra de cana-de-açúcar 2025/2026 em Alagoas deve ser encerrada nos próximos dias com leve crescimento em relação ao ciclo anterior e com mudança importante no perfil da produção. Até 31 de março, as usinas haviam processado 17,6 milhões de toneladas de cana, acima ³das 17,47 milhões de toneladas registradas no mesmo ponto da safra 2024/2025. A variação é de 0,74%.
O dado confirma a estabilidade da moagem no Estado. Mas, por trás desse número, há uma diferença importante entre o desempenho das usinas e o dos produtores independentes. A safra se sustenta, sobretudo, pelo avanço da cana própria e pelo aumento de outras origens, enquanto os fornecedores seguem em retração.
No acumulado da safra, a produção de etanol chegou a 472,9 milhões de litros, crescimento de 16,86% sobre os 404,7 milhões de litros do ciclo anterior. Já a produção de açúcar caiu de 1,61 milhão de toneladas para 1,41 milhão de toneladas, recuo de 12,35%. O mix mudou: o açúcar caiu de 70,01% para 63,54%, enquanto o etanol subiu de 29,99% para 36,46%.
Segundo o presidente do Sindaçúcar-AL, Pedro Robério Nogueira, a mudança reflete a conjuntura de mercado. O etanol, além de melhor remuneração relativa, oferece giro de caixa mais rápido, o que favorece sua priorização pelas usinas. Já o açúcar depende de embarques e prazos maiores para recebimento.
Alcooleira
Pedro Robério afirma que o movimento deve continuar no próximo ciclo. “Esta é uma safra mais alcooleira do que açucareira. Menos açúcar e mais etanol por conta da conjuntura de mercado”, afirmou.
Segundo ele, a vantagem financeira do biocombustível pesa na decisão industrial. “O etanol vende e recebe todo dia, tem preço melhor e fluxo de caixa praticamente imediato. Já o açúcar está com preços menores, exige embarques maiores e prazo mais longo para pagamento”, pontua.
O que se espera para o ciclo 26/27 é um começo ainda mais alcooleiro, se for mantida a atual situação do mercado. A safra entra agora na fase final. Restam dua unidades em operação - Sumaúma e Porto Rico - que devem encerrar a moagem ainda esta semana.
“Estamos chegando perto de 18 milhões de toneladas. Vamos superar um pouco a safra anterior”, disse Pedro Robério.
Para o próximo ciclo, a expectativa é mais otimista. “Todo o setor está animado com as chuvas. O canavial está verde, se desenvolvendo bem. A próxima safra deve ser maior”, avalia.
O impacto em números
Os dados do boletim de cana mostram que a composição da matéria-prima mudou entre uma safra e outra. Abaixo, o comparativo correto:
Cana própria das usinas
• Safra 2024/2025: 7,08 milhões de toneladas
• Safra 2025/2026: 7,64 milhões de toneladas
• Variação: +7,9%
Cana de acionistas
• Safra 2024/2025: 1,78 milhão de toneladas
• Safra 2025/2026: 1,64 milhão de toneladas
• Variação: -7,9%
Cana de fornecedores
• Safra 2024/2025: 7,02 milhões de toneladas
• Safra 2025/2026: 6,65 milhões de toneladas
• Variação: -5,3%
Outras origens
• Safra 2024/2025: 1,16 milhão de toneladas
• Safra 2025/2026: 1,68 milhão de toneladas
• Variação: +44,9%
Explicando
A safra cresceu. Pela usina, não pelo fornecedor. O comparativo mostra que o leve avanço da moagem em Alagoas foi puxado principalmente pela expansão da cana própria e pelo aumento do volume classificado como outras origens. Já os fornecedores independentes e os acionistas/cooperados tiveram retração.
Na prática, isso indica uma concentração maior da produção nas estruturas das próprias usinas. O volume total do Estado sobe um pouco, mas a participação do produtor recua.


