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Clima adverso marca março e desafia produção de soja e milho no Brasil

Diante desse cenário, produtores têm recorrido cada vez mais a tecnologias voltadas ao fortalecimento fisiológico das plantas como parte das estratégias de manejo no campo

Por Redação* 04/04/2026 11h11
Clima adverso marca março e desafia produção de soja e milho no Brasil
Safra de Milho - Foto: Aiba/Divulgação

O mês de março marca uma fase decisiva do calendário agrícola brasileiro, com o avanço da colheita da soja e do milho de verão, a intensificação do plantio do milho safrinha e o início do planejamento da safra de trigo. O período tem sido caracterizado por instabilidades climáticas e pela ocorrência simultânea de estresses abióticos, como déficit hídrico, altas temperaturas e variações na radiação solar — fatores que impactam diretamente o desempenho das lavouras.

Diante desse cenário, produtores têm recorrido cada vez mais a tecnologias voltadas ao fortalecimento fisiológico das plantas como parte das estratégias de manejo no campo.

No milho de verão, a colheita já alcança 55,7% da área no Centro-Sul do país. Os maiores avanços foram registrados no Rio Grande do Sul (84,5%), Santa Catarina (78,2%) e Paraná (69,7%). Nessas regiões, as lavouras enfrentaram condições adversas ao longo do ciclo, como ondas de calor, irregularidade de chuvas e oscilações de luminosidade. Avaliações recentes conduzidas pela Elicit Plant apontam ganhos entre 15 e 17 sacas por hectare em áreas submetidas a múltiplos estresses.

Na soja, a colheita atinge 61% da área nacional, ritmo inferior ao observado em anos anteriores. No Sul, o déficit hídrico aliado às altas temperaturas reduziu o potencial produtivo. Já nas regiões Norte e Nordeste, o excesso de chuvas prejudicou as operações de campo e comprometeu a qualidade dos grãos. Ainda assim, levantamentos da Elicit Plant indicam incremento médio de cerca de cinco sacas por hectare nas áreas monitoradas.

O plantio do milho safrinha também avança e já atinge 85,5% da área prevista, superando a média dos últimos cinco anos. Mato Grosso lidera a semeadura, com 99,3%, seguido por Tocantins (98%) e Maranhão (95%). No entanto, desafios persistem: no Paraná, a baixa umidade do solo limita o desenvolvimento inicial das plantas, enquanto o excesso de chuvas tem interrompido atividades em Mato Grosso do Sul e Tocantins. Além disso, o atraso na colheita da soja — com cerca de 1,3 milhão de hectares ainda pendentes — aumenta a exposição ao risco climático na segunda safra.

As projeções de produção reforçam o cenário de atenção. A Companhia Nacional de Abastecimento estima a safra de soja em 176,1 milhões de toneladas, enquanto o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos projeta 178 milhões. Para o milho, a Conab prevê 138,8 milhões de toneladas, frente às 131 milhões estimadas pelo USDA.

Com o avanço das safras de verão, produtores do Sul já iniciam o planejamento do trigo, ainda sob efeitos de períodos recentes de estiagem e excesso de chuvas. Nesse contexto, decisões de manejo serão determinantes para o desempenho da próxima safra.

Para o responsável pelas operações da Elicit Plant no Brasil, Felipe Sulzbach, o cenário evidencia a necessidade de adaptação às condições adversas. Segundo ele, os estresses abióticos deixaram de ser eventos isolados e passaram a ocorrer de forma combinada, exigindo respostas mais robustas das lavouras.

Sulzbach destaca ainda que os resultados observados em campo demonstram o potencial das tecnologias em diferentes ambientes produtivos. Para ele, os ganhos registrados em soja e milho indicam que é possível manter o desempenho mesmo diante de limitações climáticas, e a tendência é de maior adoção dessas soluções em busca de mais previsibilidade na produção.

*Com informações do Agrolink