Agro

Incertezas globais e custos elevados mantêm grãos sob pressão

Mercado mantém cautela diante de custos elevados, tensões geopolíticas e expectativa por relatório do USDA

Por Redação* 02/04/2026 09h09
Incertezas globais e custos elevados mantêm grãos sob pressão
Safra de grãos - Foto: Divulgação

Os mercados de grãos encerraram a semana sob pressão, em meio a um ambiente de cautela influenciado por fatores macroeconômicos e pelas expectativas em torno da oferta global. Segundo a StoneX, as cotações seguiram pressionadas por incertezas relevantes, mesmo diante de sinais de sustentação vindos da demanda.

No caso da soja, o viés de baixa predominou na Bolsa de Chicago, apesar do aumento das tensões no Oriente Médio, que mantém o mercado global em alerta e reforça preocupações inflacionárias. Em cenários como esse, os grãos tendem a encontrar suporte, mas a elevação dos custos de produção — como fertilizantes, diesel e frete — limita a rentabilidade e reduz o apetite por novas negociações.

Nos Estados Unidos, a definição das metas para biocombustíveis trouxe maior previsibilidade ao mercado e reforçou a expectativa de aumento da demanda por óleo de soja, impulsionada também por investimentos na expansão da capacidade de processamento. Ainda assim, a proximidade do relatório de intenções de plantio e estoques do USDA manteve os agentes em posição defensiva, elevando a volatilidade e pressionando os preços no curto prazo.

O milho seguiu trajetória semelhante e também encerrou a semana em queda na CBOT. Apesar do ambiente mais inflacionário, impulsionado pela alta dos preços de energia e pelas tensões geopolíticas, o mercado reagiu pouco aos estímulos de demanda. O foco permanece no relatório do USDA, considerado determinante para a direção dos preços no curto prazo.

A liberação temporária da venda de E15 durante o período de maior consumo nos Estados Unidos foi interpretada como positiva, ao reforçar a demanda por etanol — um dos principais destinos do milho. No entanto, o impacto sobre os preços ainda é limitado, já que não há, até o momento, uma sinalização clara de expansão da capacidade de produção.

A alta da gasolina melhora a competitividade do etanol e pode estimular investimentos e exportações. Ainda assim, gargalos logísticos continuam sendo um entrave para um avanço mais consistente do consumo interno.

*Com informações do Agrolink