Agro
Preços do petróleo impactam produção e oferta de açúcar
Essa dinâmica está diretamente ligada ao setor de combustíveis no Brasil, onde as usinas decidem o direcionamento da cana-de-açúcar entre a produção de açúcar e etanol
A recente volatilidade nos mercados internacionais de energia e de commodities agrícolas tem evidenciado a forte interconexão entre diferentes cadeias produtivas. Ao longo de março, as oscilações nos preços do petróleo e do açúcar voltaram a chamar atenção por seus movimentos simultâneos.
De acordo com análise do Rabobank, no dia 9 de março, em meio à escalada do conflito envolvendo o Irã, o petróleo tipo Brent se aproximou de US$ 120 por barril. Na mesma data, os contratos futuros do açúcar bruto na ICE, com vencimento em maio de 2026, atingiram máxima intradiária de 14,64 centavos de dólar por libra-peso, encerrando o dia a 14,59 centavos — um dos níveis mais elevados do ano.
Já em 24 de março, o petróleo recuou para cerca de US$ 100 por barril, enquanto o açúcar avançou para próximo de 15,50 centavos por libra-peso, reforçando a correlação entre os dois mercados.
Essa dinâmica está diretamente ligada ao setor de combustíveis no Brasil, onde as usinas decidem o direcionamento da cana-de-açúcar entre a produção de açúcar e etanol. A escolha depende, sobretudo, da competitividade entre o etanol e os combustíveis fósseis.
Com a alta do petróleo, o etanol tende a ganhar competitividade frente à gasolina, o que aumenta sua demanda. Como consequência, as usinas passam a destinar maior volume de cana para a produção de biocombustível, reduzindo a oferta de açúcar no mercado internacional.
Mesmo com a recente queda, o patamar do petróleo ainda é considerado suficiente para sustentar essa dinâmica. Assim, o cenário global — influenciado por tensões geopolíticas — mantém um viés de alta para o açúcar, ao limitar sua disponibilidade no mercado.
*Com informações do Agrolink


