Agro
Preço do café recua, mas segue remunerador ao produtor
Queda nas cotações e juros elevados influenciam setor, que ainda mantém rentabilidade e observa cenário externo
Os preços do café apresentam queda em relação ao ano passado, mas ainda permanecem em um patamar considerado rentável para os produtores. Mesmo assim, o setor acompanha com cautela fatores como o cenário internacional e o custo do crédito, que podem impactar a atividade.
Atualmente, a saca de 60 quilos é comercializada entre R$ 1.500 e R$ 1.950, com variações conforme a região. Em 2025, os valores chegaram a superar R$ 2.500, o que impulsionou investimentos no campo e elevou a renda dos produtores.
Com a redução nas cotações neste ano, aliada aos efeitos de medidas comerciais externas e à taxa de juros em 14,75% ao ano, o ritmo de crescimento do setor tende a desacelerar. Ainda assim, especialistas avaliam que os preços atuais continuam suficientes para cobrir custos e garantir margem ao produtor.
Dados recentes indicam que as exportações brasileiras de café somaram 5,41 milhões de sacas no primeiro bimestre do ano, uma queda de 27,3% em comparação com o mesmo período de 2025.
“O café a R$ 1.500, R$ 1.800, para pagar a conta, é, sem dúvida nenhuma, um bom nível de preço. Nós, enquanto produtores, sonhávamos há poucos anos com US$ 100 a saca. Hoje, US$ 100 não sei se a cafeicultura sobreviveria, mas a gente vive US$ 300 nesse momento. É preciso aproveitar esse mercado para não entrar em endividamento porque, sem dúvida nenhuma, juros de dois dígitos é igual a quebradeira em qualquer atividade econômica do mundo”, disse o produtor rural em Nova Resende (MG) Osvaldo Bachião Filho, vice-presidente da Cooxupé.
O setor também observa impactos indiretos de tensões geopolíticas, que podem afetar a logística de exportações e o fornecimento de insumos agrícolas, como fertilizantes. Além disso, o nível elevado da taxa de juros segue como um dos principais pontos de atenção para os produtores.
Por outro lado, as condições climáticas têm sido favoráveis nas principais regiões produtoras do país, com chuvas regulares e temperaturas amenas, o que pode contribuir para uma recuperação da produção nos próximos ciclos.
A expectativa é de que, com a combinação de clima positivo e eventual melhora nas condições econômicas, o mercado de café apresente desempenho mais equilibrado nos próximos anos.

