Agro

Arroba do boi salta mais de 10% em AL e abre novo ciclo na pecuária

A perspectiva é chegar a R$ 350 nas próximas semanas

Por Blog de Edivaldo Junior 18/03/2026 12h12
Arroba do boi salta mais de 10% em AL e abre novo ciclo na pecuária
Alta na arroba do boi gordo anima pecuaristas em Alagoas. - Foto: Edivaldo Junior

A arroba do boi gordo voltou a subir em Alagoas — e, desta vez, com intensidade suficiente para mudar a avaliação do mercado. No início de janeiro de 2026, o boi era negociado na faixa de R$ 300 a R$ 305. No dia 17 de março, dois meses depois, já aparece em torno de R$ 333,5 com registros de até R$ 335 à vista, conforme referências do mercado físico.

Não é apenas ajuste pontual. É mudança de direção. A perspectiva é chegar a R$ 350 nas próximas semanas.

A valorização supera 10% em pouco mais de dois meses e interrompe um ciclo de preços pressionados que vinha desde 2024. Ao longo desse período, o produtor operou com margens apertadas, aumento de custos e pouca previsibilidade, cenário que levou muitos a reduzir investimentos e ajustar a produção.

O preço da arroba domina as discussões entre pecuaristas de todo o Brasil. Em Alagoas, não é diferente e estará no centro das discussões da nona edição do Encontro de Pecuária de Corte do Nordeste (Encorte), que será realizada nos dias 23 e 24 de abril, no Centro de Convenções de Maceió.

Para o diretor do evento e consultor, Marcelo Araújo, o momento atual exige atenção. “Estamos vivendo um momento de expectativa para o pecuarista brasileiro. Depois de um período de retração, a arroba voltou a reagir e já gira em torno de R$ 350 em alguns mercados.

Alguns especialistas acreditam que podemos estar diante de uma virada de ciclo da pecuária de corte. Mas é importante compreender que o preço da arroba responde principalmente ao equilíbrio entre oferta e demanda, e o que começamos a observar agora são sinais de redução no estoque de animais em importantes países produtores”, afirma.

Segundo Araújo, a dinâmica da pecuária é fortemente influenciada pelo volume de animais disponíveis para abate. “Pela primeira vez estamos vendo uma redução mais clara no estoque de gado não apenas no Brasil, mas também em grandes produtores mundiais, como Estados Unidos e Austrália. Quando há menos animais disponíveis, o mercado tende a reagir e os preços começam a se recuperar”, explica.

Agora, o mercado reage. E reage com base. O principal fator está na oferta. Nos últimos ciclos, o aumento do abate de fêmeas reduziu a capacidade de reposição dos rebanhos — uma decisão típica em momentos de baixa, quando o produtor prioriza caixa. O efeito, como de costume na pecuária, aparece com atraso.

Com menos animais disponíveis para abate, as escalas encurtaram. Frigoríficos passaram a disputar boiada pronta, elevando os preços pagos ao produtor e sustentando a arroba em patamares mais altos no mercado regional.

É a lógica do setor. Menos oferta, mais preço. Outro elemento reforça esse movimento. O custo de reposição subiu. O bezerro iniciou 2026 com valorização próxima de 10% em relação ao ano anterior, elevando o custo da atividade e dificultando recuos no preço do boi gordo. O produtor vende melhor. Mas também produz mais caro.

Em Alagoas, essa reação tem peso econômico relevante. O estado possui um rebanho bovino estimado em cerca de 1,3 milhão de cabeças, segundo dados do IBGE, com forte presença no Agreste, zona da mata e no Sertão. A atividade envolve mais de 35 mil criadores e sustenta uma cadeia ampla no interior.

Além da produção de carne, a pecuária movimenta transporte, insumos, comércio e serviços, sendo uma das principais fontes de renda em diversos municípios. A valorização da arroba, portanto, não fica restrita à porteira — ela se espalha pela economia local. E com rapidez.

A alta da arroba melhora o ambiente para o produtor alagoano, mas também eleva o nível de exigência dentro da atividade. Mais do que esperar pelo preço, o desafio passa a ser transformar esse momento em resultado consistente. O ciclo pode ter virado. Mas só ganha quem estiver preparado.