Agro
Açúcar mantém exportações de Alagoas, mas cenário externo segue negativo
Exportações caem mais de 60% em fevereiro, enquanto importações avançam e mantêm saldo negativo no estado
Apesar dos desafios enfrentados pelo setor sucroenergético, o açúcar segue como principal sustentação das exportações de Alagoas no início de 2026. Dados da Secretaria de Comércio Exterior, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, mostram que a balança comercial do estado voltou a registrar déficit em fevereiro.
No mês, as exportações somaram US$ 38,8 milhões, enquanto as importações atingiram US$ 81,8 milhões, resultando em saldo negativo de US$ 43 milhões. Em comparação com fevereiro de 2025, as vendas externas caíram 66,3%, ao passo que as importações cresceram 8,1%.
O cenário mantém a tendência observada desde o início do ano. Em janeiro, Alagoas exportou US$ 48,1 milhões e importou US$ 92,2 milhões, acumulando déficit de US$ 44,1 milhões. Na comparação anual, houve retração de 53,8% nas exportações e avanço de 8,9% nas importações, indicando enfraquecimento do desempenho exportador ao mesmo tempo em que o estado mantém a demanda por produtos do exterior.
A pauta exportadora permanece altamente concentrada no açúcar e seus derivados, o que aumenta a vulnerabilidade do estado a oscilações de safra e de preços no mercado internacional. Em fevereiro, açúcares e melaços representaram 95,5% das exportações. Em janeiro, essa participação foi semelhante, com 95,4% do total.
De acordo com Dielze Mello, gerente do Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas, a queda na produção de cana-de-açúcar e a desvalorização do produto no mercado internacional continuam pressionando os resultados.
Segundo ela, a ausência de itens tradicionalmente relevantes na pauta exportadora, como minério de cobre e tabaco, também contribui para o desempenho mais fraco. Por outro lado, as importações seguem concentradas em insumos industriais, que ajudam a aumentar a competitividade da indústria local ao reduzir custos, ampliar a eficiência e diversificar a produção.
Destinos concentrados
Mesmo com a retração nas exportações, os destinos seguem concentrados. Em fevereiro, países africanos lideraram as compras: Argélia respondeu por 46,7% do total exportado, seguida por Marrocos, com 28,0%, e Senegal, com 18,3%.
Outros mercados tiveram participação menor, como Geórgia, Índia, Japão e Argentina. Em janeiro, o perfil já indicava concentração semelhante, com destaque para Iêmen, Portugal, além de Marrocos, Senegal e Geórgia.
Importações puxadas por insumos
No lado das importações, fevereiro reforça o peso de insumos industriais e itens ligados à infraestrutura. Entre os principais produtos estão fertilizantes químicos (6,4%) e derivados de hidrocarbonetos (5,6%).
Também se destacam equipamentos para distribuição de energia elétrica (4,4%) e máquinas e aparelhos elétricos (2,4%). Outros itens relevantes incluem polímeros de etileno (2,2%), artigos de plástico (2,2%) e instrumentos de medição e controle (2,0%), evidenciando a dependência de insumos externos para sustentar a atividade industrial no estado.
*Com informações do Movimento Econômico


