Agro

Cultivo de canola avança no Brasil e ganha espaço no campo

Expansão da área plantada, novos híbridos e demanda por óleo e biocombustíveis impulsionam oleaginosa no país

Por Redação* 16/03/2026 09h09
Cultivo de canola avança no Brasil e ganha espaço no campo
Expansão da cultura é impulsionada por demanda por óleo e biocombustíveis - Foto: Ernesto de Souza/ Ed. Globo

O cultivo de Canola vem ganhando cada vez mais atenção no Brasil e se consolida como alternativa para diversificar a renda do produtor e fortalecer os sistemas de produção no campo. Tradicionalmente cultivada em países de clima temperado, a cultura tem avançado principalmente na região Sul, onde encontra condições climáticas favoráveis e se encaixa na janela de inverno após a colheita de culturas como Soja e Milho.

Atualmente, cerca de 90% da área plantada com canola no Brasil está concentrada no Rio Grande do Sul, estado com tradição nas culturas de inverno. A semeadura ocorre geralmente entre março e maio, funcionando como uma alternativa produtiva para os agricultores nesse período.

Segundo o engenheiro agrônomo José Geraldo Mendes, responsável pela área de supply chain da Advanta Seeds, o interesse pela cultura está ligado ao potencial econômico e aos benefícios agronômicos. “A canola entra como uma opção de rotação, ajudando a quebrar o ciclo de pragas, doenças, plantas daninhas e contribuindo para melhorar a estrutura do solo. Ela agrega valor ao sistema produtivo”, destaca.

Perspectivas de crescimento


Dados da Companhia Nacional de Abastecimento indicam avanço significativo da cultura. Em 2025, o cultivo ocupou 211,8 mil hectares no Brasil, crescimento de 43% em relação a 2024, quando foram semeados 147,9 mil hectares.

Quase toda essa área está no Rio Grande do Sul, com 209,9 mil hectares, enquanto o restante se concentra no Paraná. Para a produção nacional, a estimativa é de 300 mil toneladas em 2026, volume 58% superior ao registrado no ano anterior, quando o país produziu cerca de 195 mil toneladas.

“A expectativa para a safra 2026 é passarmos de 300 mil hectares de área cultivada”, projeta Mendes.

Além da região Sul, também surgem iniciativas de produção em outras áreas do país, como no entorno de Brasília, que reúne condições favoráveis de clima, solo e altitude para o desenvolvimento da cultura.

Mercado aquecido impulsiona cultura


O interesse pela canola também está ligado à crescente demanda global por seus derivados. O óleo de canola é amplamente utilizado na alimentação humana e considerado um dos mais saudáveis do mercado.

Já o farelo, subproduto do processamento, é utilizado como fonte de proteína na alimentação animal, principalmente para equinos, bovinos e animais de estimação.

Outro fator que pode impulsionar a cultura é o avanço dos biocombustíveis. O óleo de canola é matéria-prima importante para a produção de Biodiesel e vem sendo estudado para uso no combustível sustentável de aviação (SAF), alternativa estratégica para reduzir as emissões do setor aéreo.

“Se esse movimento avançar, teremos uma demanda ainda maior. Isso traz mais liquidez para o mercado e incentiva o produtor a ampliar o plantio e investir na cultura”, explica o engenheiro agrônomo.

Fortalecimento da cadeia produtiva


Apesar do potencial, o avanço da canola ainda depende do fortalecimento da cadeia produtiva. Para especialistas do setor, é fundamental o alinhamento entre produtores, empresas de sementes, indústria e compradores.

Outro ponto considerado essencial é a ampliação do conhecimento técnico sobre a cultura e o aumento dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

Nesse cenário, empresas do setor vêm ampliando os investimentos em genética e adaptação da cultura às condições brasileiras. A Advanta Seeds, por exemplo, atua no fornecimento de sementes híbridas de alto potencial produtivo e participa de iniciativas voltadas à chamada “tropicalização” da canola, com foco na expansão do cultivo em regiões do Cerrado.

A empresa mantém parcerias de pesquisa para desenvolver materiais mais adaptados ao clima brasileiro. Segundo Mendes, já existem híbridos oriundos de programas de melhoramento da Austrália com boa adaptação ao país.

Além disso, a produção nacional de sementes também começa a avançar. A expectativa é que o Brasil se torne um polo de produção e, no futuro, exporte sementes para mercados como Paraguai, Uruguai, Argentina, África do Sul e Cazaquistão.

*Com informações da Advanta Seeds