Agro
Agroindústria fecha 2025 com retração de 0,1%
Índice PIMAgro da FGV Agro aponta estabilidade no ano, com queda em bebidas e biocombustíveis e avanço em alimentos de origem animal
A produção da agroindústria brasileira encerrou 2025 praticamente estável, com leve retração de 0,1%, conforme o Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), elaborado pelo Fundação Getulio Vargas (FGV Agro). O resultado reflete o equilíbrio entre juros elevados e o mercado interno aquecido ao longo do ano.
Apesar da estabilidade no resultado geral, os segmentos da agroindústria apresentaram desempenhos distintos. No grupo de alimentos e bebidas, o setor de bebidas registrou queda de 2,6% em 2025, influenciado principalmente pela retração de 4,7% na produção de bebidas alcoólicas, diante da redução no consumo. As bebidas não alcoólicas também fecharam o ano em baixa, com recuo de 0,3%.
Já a indústria de alimentos avançou 1,5% no período. O crescimento foi impulsionado pela alta de 3% na produção de alimentos de origem animal, com expansão nos segmentos de carnes bovina, suína e de aves. Os setores de laticínios e pescados também apresentaram desempenho positivo.
Mesmo com o tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos a produtos brasileiros, que afetou as exportações de carnes entre agosto e setembro, o segmento encerrou 2025 com recorde nos embarques. Na cadeia de lácteos, a produção de leite atingiu o maior volume da série histórica, apesar do aumento das importações.
Em contraste, as indústrias de alimentos de origem vegetal fecharam o ano com retração de 0,9%. Após iniciar 2025 em queda, o segmento apresentou recuperação no segundo semestre, mas não conseguiu reverter o resultado negativo.
Segundo a Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), a colheita de arroz caiu 14% na safra 2025/26, impactando o beneficiamento do grão. Também pesaram no resultado a redução da produção de arroz, café e açúcar refinado. No caso da cana-de-açúcar, a menor quantidade e qualidade da matéria-prima levou usinas a priorizarem a produção da commodity em detrimento do etanol, ainda assim com retração na atividade de refino.
Entre os alimentos de origem vegetal, houve crescimento na produção de conservas e sucos, óleos e gorduras e derivados de trigo.

No segmento de produtos não alimentícios, a agroindústria registrou queda de 1,3% em 2025. O principal fator foi a retração de 18,6% na produção de biocombustíveis, especialmente do etanol de cana-de-açúcar. Embora a fabricação de biodiesel e etanol de milho tenha avançado, o etanol de cana permanece predominante, influenciando diretamente o desempenho do setor.


