Agro

El Niño muda cenário da horticultura brasileira em 2026

Se, em 2025, a combinação entre chuvas relativamente bem distribuídas e temperaturas dentro da média favoreceu a produtividade de diversas culturas, o cenário projetado para este ano impõe novos desafios

Por Redação* 18/02/2026 10h10
El Niño muda cenário da horticultura brasileira em 2026
El Niño muda cenário da horticultura brasileira em 2026 - Foto: Reprodução

A transição de um episódio de La Niña curto e de baixa intensidade para um evento de El Niño mais duradouro em 2026 representa uma mudança significativa no ambiente produtivo da horticultura brasileira. A avaliação é da equipe da revista Hortifruti Brasil, publicação do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), vinculado à Esalq/USP.

Se, em 2025, a combinação entre chuvas relativamente bem distribuídas e temperaturas dentro da média favoreceu a produtividade de diversas culturas, o cenário projetado para este ano impõe novos desafios. A expectativa é de temperaturas médias mais elevadas ao longo de 2026 e alterações no regime de chuvas a partir do inverno, com impactos distintos entre as regiões produtoras.

O relatório destaca que os efeitos do El Niño não são homogêneos. A intensidade das consequências depende da cultura cultivada, da localização geográfica e do sistema produtivo adotado. Em algumas áreas, o aumento das temperaturas pode acelerar ciclos de desenvolvimento e elevar a pressão de pragas e doenças. Quando associado à maior umidade, esse quadro tende a comprometer a qualidade dos produtos e ampliar as perdas.

Já em regiões com menor disponibilidade hídrica, a irrigação passa a ser fator estratégico — tanto do ponto de vista técnico quanto financeiro. O custo da água e da energia, bem como a capacidade de investimento em infraestrutura, podem determinar a viabilidade produtiva em determinados polos.

Outro ponto ressaltado pelos pesquisadores é que ganhos de produtividade não garantem, necessariamente, melhores margens ao produtor. A experiência recente mostra que o aumento da oferta, aliado à possível perda de qualidade e à elevação dos custos operacionais, pode pressionar os preços e reduzir a rentabilidade, mesmo em anos de boa colheita.

Diante desse cenário climático mais instável, a recomendação é intensificar o monitoramento das condições meteorológicas, aprimorar o manejo técnico, planejar o escalonamento de plantios e reforçar a gestão de riscos. Em 2026, produtividade, qualidade e rentabilidade dependerão cada vez mais de decisões estratégicas baseadas em informação e planejamento.