Agro

Milho encarece produção e desafia suinocultura em 2026

Ração supera 70% do custo, e planejamento será decisivo para manter rentabilidade nas granjas

Por Redação* 11/02/2026 09h09 - Atualizado em 11/02/2026 09h09
Milho encarece produção e desafia suinocultura em 2026
Ração representa mais de 70% do custo de produção nas granjas - Foto: Leandro Sabei/FMVZ-USP

O aumento no preço do milho voltou a pressionar o custo de produção da suinocultura brasileira no segundo semestre de 2025, acendendo alerta para 2026. A ração representa mais de 70% do custo total da atividade e segue como principal fator de impacto sobre o produtor.

Após um primeiro semestre marcado por redução nos preços do milho e do farelo de soja, o cenário mudou a partir da segunda metade do ano. Segundo dados da Embrapa, houve reversão da tendência de queda, com reflexos diretos na rentabilidade das granjas.

O pesquisador da Embrapa Aves e Suínos, Marcelo Miele, explica que o custo é calculado com base nos preços médios mensais de mercado. “A ração representa mais de 70% do custo total e hoje é o principal fator de pressão sobre o custo do suíno vivo”, destacou Miele.

De acordo com ele, a pressão também atingiu a produção de frangos e ovos, impulsionada pelo ciclo de oferta do milho. “A partir do início do segundo semestre, verificamos a reversão dessa tendência, sobretudo puxada pela questão do milho”, afirmou.

Estratégia reduz impacto


A forma de aquisição do grão pode amenizar os efeitos da alta. Produtores com capacidade de estocagem e capital de giro conseguem reduzir oscilações mais intensas.

“O valor do milho no custo vai depender muito da estratégia de aquisição e de proteção de risco de cada produtor ou cooperativa”, afirmou Miele.

Segundo o pesquisador, formar estoque em períodos de preços mais baixos é uma das principais medidas de proteção. “Buscar ter um mínimo de estocagem disponível e capital de giro para aproveitar momentos de preços atrativos é a principal forma de se proteger dessas variações cíclicas”, ressaltou.

Outros custos em alta


Além da ração, despesas como mão de obra, energia elétrica, construções e equipamentos apresentam tendência histórica de crescimento.

“Quando olhamos outros itens, como mão de obra, energia elétrica, construções e equipamentos, vemos uma tendência histórica de alta”, explicou Miele.

Ele destacou que o mercado de trabalho rural acompanha o urbano. “Hoje o mercado rural e urbano são vasos comunicantes, o que leva a uma maior equalização dos salários”, afirmou.

Perfil do produtor


O impacto varia conforme o modelo de produção. No sistema independente ou de mercado spot, os principais focos de gestão são ração e genética. “Esses são os principais itens de gestão para esse produtor”, destacou.

Já na integração, onde ração e genética ficam sob responsabilidade da agroindústria, ganham peso custos como mão de obra, energia e estrutura. “Fica muito claro o impacto da mão de obra, da energia e da estrutura”, explicou Miele.

Rentabilidade e perspectiva para 2026


O custo de produção acumulou alta de 4,39% em 2025. Ainda assim, isso não significou automaticamente perda de rentabilidade.

“Não necessariamente maiores custos vão prejudicar a rentabilidade, porque tudo depende do outro lado da equação, que é a renda”, explicou Miele.

Segundo ele, até setembro e outubro, a relação entre preço do suíno vivo e custo da ração foi favorável, sustentada por exportações e consumo interno. A deterioração ocorreu apenas no final do ano.

Para 2026, a expectativa é de maior estabilidade no curto prazo. “Devemos manter um patamar semelhante ao final de 2025 e início de 2026”, avaliou.

Ele alertou, porém, para fatores externos. “Questões climáticas, geopolíticas e até políticas internas podem afetar tanto a disponibilidade de grãos quanto às exportações”, afirmou.

Desafios estruturais


Entre os desafios, o pesquisador aponta dois eixos principais: eficiência interna e equilíbrio de mercado.

“Buscar eficiência, reduzir custos e produzir com sustentabilidade é fundamental”, afirmou Miele.

Ele também destacou a necessidade de ajustar o alojamento de matrizes à demanda. “Equilibrar o alojamento de matrizes com a demanda do mercado é um exercício complexo”, explicou.

Encerrando, reforçou a importância de informação e planejamento. “O principal é se valer de boas informações e de especialistas para definir o melhor momento de compra dos grãos”.

*Com informações da Notícias Agrícolas