Agro
Milho encarece produção e desafia suinocultura em 2026
Ração supera 70% do custo, e planejamento será decisivo para manter rentabilidade nas granjas
O aumento no preço do milho voltou a pressionar o custo de produção da suinocultura brasileira no segundo semestre de 2025, acendendo alerta para 2026. A ração representa mais de 70% do custo total da atividade e segue como principal fator de impacto sobre o produtor.
Após um primeiro semestre marcado por redução nos preços do milho e do farelo de soja, o cenário mudou a partir da segunda metade do ano. Segundo dados da Embrapa, houve reversão da tendência de queda, com reflexos diretos na rentabilidade das granjas.
O pesquisador da Embrapa Aves e Suínos, Marcelo Miele, explica que o custo é calculado com base nos preços médios mensais de mercado. “A ração representa mais de 70% do custo total e hoje é o principal fator de pressão sobre o custo do suíno vivo”, destacou Miele.
De acordo com ele, a pressão também atingiu a produção de frangos e ovos, impulsionada pelo ciclo de oferta do milho. “A partir do início do segundo semestre, verificamos a reversão dessa tendência, sobretudo puxada pela questão do milho”, afirmou.
Estratégia reduz impacto
A forma de aquisição do grão pode amenizar os efeitos da alta. Produtores com capacidade de estocagem e capital de giro conseguem reduzir oscilações mais intensas.
“O valor do milho no custo vai depender muito da estratégia de aquisição e de proteção de risco de cada produtor ou cooperativa”, afirmou Miele.
Segundo o pesquisador, formar estoque em períodos de preços mais baixos é uma das principais medidas de proteção. “Buscar ter um mínimo de estocagem disponível e capital de giro para aproveitar momentos de preços atrativos é a principal forma de se proteger dessas variações cíclicas”, ressaltou.
Outros custos em alta
Além da ração, despesas como mão de obra, energia elétrica, construções e equipamentos apresentam tendência histórica de crescimento.
“Quando olhamos outros itens, como mão de obra, energia elétrica, construções e equipamentos, vemos uma tendência histórica de alta”, explicou Miele.
Ele destacou que o mercado de trabalho rural acompanha o urbano. “Hoje o mercado rural e urbano são vasos comunicantes, o que leva a uma maior equalização dos salários”, afirmou.
Perfil do produtor
O impacto varia conforme o modelo de produção. No sistema independente ou de mercado spot, os principais focos de gestão são ração e genética. “Esses são os principais itens de gestão para esse produtor”, destacou.
Já na integração, onde ração e genética ficam sob responsabilidade da agroindústria, ganham peso custos como mão de obra, energia e estrutura. “Fica muito claro o impacto da mão de obra, da energia e da estrutura”, explicou Miele.
Rentabilidade e perspectiva para 2026
O custo de produção acumulou alta de 4,39% em 2025. Ainda assim, isso não significou automaticamente perda de rentabilidade.
“Não necessariamente maiores custos vão prejudicar a rentabilidade, porque tudo depende do outro lado da equação, que é a renda”, explicou Miele.
Segundo ele, até setembro e outubro, a relação entre preço do suíno vivo e custo da ração foi favorável, sustentada por exportações e consumo interno. A deterioração ocorreu apenas no final do ano.
Para 2026, a expectativa é de maior estabilidade no curto prazo. “Devemos manter um patamar semelhante ao final de 2025 e início de 2026”, avaliou.
Ele alertou, porém, para fatores externos. “Questões climáticas, geopolíticas e até políticas internas podem afetar tanto a disponibilidade de grãos quanto às exportações”, afirmou.
Desafios estruturais
Entre os desafios, o pesquisador aponta dois eixos principais: eficiência interna e equilíbrio de mercado.
“Buscar eficiência, reduzir custos e produzir com sustentabilidade é fundamental”, afirmou Miele.
Ele também destacou a necessidade de ajustar o alojamento de matrizes à demanda. “Equilibrar o alojamento de matrizes com a demanda do mercado é um exercício complexo”, explicou.
Encerrando, reforçou a importância de informação e planejamento. “O principal é se valer de boas informações e de especialistas para definir o melhor momento de compra dos grãos”.
*Com informações da Notícias Agrícolas


